Pai de menino morto abre álbum do filho e faz desabafo sobre RJ: “Não é uma cidade que a gente vive, a gente sobrevive”

Na manhã desta quinta-feira, 2 de abril de 2026, o humorista Vinicius Antunes, conhecido como Cacofonias, emocionou seguidores ao publicar um tributo comovente ao filho, Francisco Farias Antunes, de 9 anos. A manifestação ocorreu um dia após o sepultamento da criança e rapidamente gerou grande repercussão nas redes sociais.

Em sua homenagem, o pai preferiu recordar a simplicidade e a beleza da rotina do menino, a quem chamava carinhosamente de Chico. Em um carrossel de fotos que percorre desde o nascimento até momentos recentes da infância, ele destacou características comuns que hoje se tornaram lembranças preciosas — como o desgosto por alface, o amor por memes e a clássica resistência na hora de dormir.

Ao compartilhar essas memórias, Vinicius buscou mostrar que o filho era uma criança como tantas outras, cheia de manias, sonhos e alegria. Ele relembrou o entusiasmo de Chico ao jogar videogame com os amigos e a forma intensa com que vivia cada fase da infância.

A publicação ganhou ainda mais força com um desabafo direto e doloroso. “Chico era só uma criança. E mesmo assim morreu”, escreveu o humorista, ressaltando a fragilidade da vida diante das circunstâncias que levaram à tragédia.

Durante o velório realizado na quarta-feira, 1º de abril, no Cemitério da Penitência, o luto deu lugar também a um apelo público. O roteirista criticou a realidade urbana e afirmou que o Rio de Janeiro se tornou um lugar onde as pessoas tentam sobreviver diariamente, em vez de simplesmente viver.

Segundo ele, o acidente ocorrido na Tijuca — quando a bicicleta elétrica em que Chico e a mãe, Emanoelle, estavam foi fechada por um carro antes de serem atingidos por um ônibus — evidencia falhas graves na segurança do trânsito. Vinicius cobrou mais responsabilidade e punição aos envolvidos.

Além da discussão sobre mobilidade urbana, o humorista também trouxe à tona outra batalha enfrentada pela família: o tratamento do diabetes tipo 1, condição que o filho possuía. Ele criticou o alto custo dos insumos e a falta de suporte governamental adequado para pacientes com a doença no Brasil.

Mesmo em meio à dor profunda, Vinicius fez questão de celebrar a essência alegre do filho. Chico dividia o coração entre torcer para o Club de Regatas Vasco da Gama e atuar nas categorias de base do Botafogo de Futebol e Regatas, demonstrando que, para ele, a paixão pelo esporte superava qualquer rivalidade.

As investigações seguem sob responsabilidade da Polícia Civil, que ainda busca identificar o motorista do veículo apontado como causador da queda das vítimas. Enquanto isso, o relato do pai ecoa como um lembrete doloroso de que Francisco não é apenas mais um número nas estatísticas de trânsito, mas um menino que amava viver intensamente cada instante da infância.