Comandante-geral da PMES comenta caso de policial que executou duas mulheres: ‘atitude trágica e inesperada’
O coronel Ríodo Rubim falou com a imprensa após a grave ocorrência registrada na última quarta-feira (08/04). Depois da ação do cabo da Polícia Militar Luiz Gustavo Xavier do Vale, que resultou na morte de duas mulheres com disparos à queima-roupa, o comandante-geral da PMES veio a público para esclarecer os primeiros detalhes apurados.
Durante a coletiva, Rubim destacou que as informações ainda estavam sendo reunidas, mas adiantou que a atitude do policial teria surpreendido até mesmo os colegas que o acompanhavam na ocorrência. Segundo ele, ninguém esperava que a situação tomasse proporções tão extremas.
De acordo com o comandante, Luiz Gustavo deixou o posto onde estava de serviço alegando um problema de ordem familiar. Ele solicitou apoio e foi acompanhado por pelo menos outros seis policiais até o endereço onde mora sua ex-esposa.
A mulher teria se envolvido em uma discussão com duas vizinhas. Em vez de acionar a Polícia Militar pelo número institucional 190, ela entrou em contato diretamente com o ex-marido, pedindo ajuda para resolver o desentendimento.
“Ele estava de serviço no posto fixo, que era a guarda da companhia, ele pede esse apoio e é uma questão envolvendo a sua família. Essa viatura foi em apoio. Então o fato de ele ter abandonado seu posto também será verificado”, afirmou o coronel ao ser questionado sobre a conduta do militar.
O policial seguiu até o local em duas viaturas, acompanhado por colegas de farda, e encontrou as duas mulheres — apontadas como desafetas de sua ex-esposa — em frente ao prédio onde residiam. Após uma breve discussão, ele sacou a arma e efetuou diversos disparos de forma intencional contra as vítimas.
“Segundo a versão oficial dele, teria havido uma discussão envolvendo sua ex-esposa e uma criança, pertencente a eles, e duas vizinhas. Ele teria pedido apoio de uma viatura da Polícia Militar para ir atender a essa ocorrência (…) Lá chegando, para surpresa de todos, ele tomou uma atitude trágica e inesperada, infelizmente”, declarou o comandante.
O caso gerou forte repercussão e levantou questionamentos sobre o uso da estrutura policial para tratar de assuntos pessoais. A corporação informou que todos os procedimentos adotados pelo cabo, inclusive a solicitação de apoio e a saída do posto de serviço, serão analisados com rigor.
A Polícia Civil também instaurou inquérito para apurar as circunstâncias do crime e eventuais responsabilidades administrativas e criminais. Paralelamente, a Polícia Militar deve conduzir um procedimento interno para avaliar possíveis infrações disciplinares.
A tragédia reacende o debate sobre preparo emocional, protocolos de atuação e limites da função policial, especialmente quando situações pessoais se misturam com o exercício da atividade profissional.