Identificadas as inspetoras que não resistiram após ataque dentro e escola no AC

As inspetoras foram identificadas após o ataque ocorrido dentro de uma escola no Acre e não resistiram aos ferimentos. Novos detalhes sobre o caso foram divulgados pelas autoridades, ampliando a comoção que já tomava conta da comunidade.

A comunidade escolar de Rio Branco, no Acre, vive um momento de profunda dor e consternação após o atentado registrado no Instituto São José. O episódio abalou estudantes, familiares e profissionais da educação, transformando o ambiente escolar em cenário de luto e homenagens.

Alzenir Pereira da Silva e Raquel Sales Feitosa são lembradas não apenas pelo comprometimento com o trabalho, mas principalmente pelo gesto de coragem ao tentarem conter um adolescente de 13 anos que efetuou disparos dentro da instituição. Ao agirem para proteger os alunos, as duas acabaram sendo atingidas.

Alzenir, conhecida carinhosamente como “Tia Zena”, era considerada uma referência de acolhimento e cuidado. Colegas e ex-alunos a descrevem como uma mulher de postura serena, educação exemplar e olhar sempre atento às necessidades dos estudantes. Sua ausência deixa um vazio profundo na rotina do colégio.

Raquel Sales Feitosa, que atuava na escola há cinco anos, também perdeu a vida ao tentar impedir o avanço do jovem. Ela conciliava o trabalho com o sonho de se formar enfermeira, curso que frequentava atualmente. Descrita por amigos como alegre e dedicada, deixa um filho e familiares devastados pela perda.

O ato das duas profissionais foi determinante para evitar que a tragédia alcançasse proporções ainda maiores. Em meio ao pânico que tomou conta dos corredores, a intervenção delas contribuiu para que outros estudantes conseguissem se abrigar e buscar proteção.

Segundo informações da Polícia Militar e da Polícia Civil do Acre, o adolescente teve acesso à arma de fogo pertencente ao padrasto. Ele teria conseguido a chave de um cofre residencial sem o conhecimento dos responsáveis. Após os disparos, abandonou o armamento em uma escadaria antes de ser apreendido.

Além das duas vítimas fatais, outras duas pessoas ficaram feridas, mas, conforme informado, não correm risco de morte. O caso segue sob investigação para esclarecer todos os detalhes, incluindo a motivação do ataque.

As autoridades trabalham com a hipótese de que possíveis episódios de bullying possam ter funcionado como gatilho para o crime. Paralelamente, o dono da arma permanece detido para prestar esclarecimentos sobre as condições de armazenamento do equipamento.

O episódio reacende debates sobre segurança nas escolas, saúde emocional de adolescentes e responsabilidade legal na guarda de armas de fogo em residências com menores. Especialistas defendem políticas mais rígidas de prevenção, além de ações educativas que fortaleçam o diálogo e o acompanhamento psicológico no ambiente escolar.

O governo estadual suspendeu temporariamente as aulas e mobilizou equipes de apoio psicossocial para atender estudantes, familiares e funcionários afetados. Em meio à dor, o legado de Alzenir e Raquel permanece marcado pelo gesto final de proteção — um ato de coragem que ficará registrado na memória da comunidade escolar.