Morre o piloto da PM Felipe Marques aos 46 anos após longa batalha pela vida
Ele faleceu neste domingo, dia 17 de maio.
Todos os dias, policiais enfrentam muito mais do que operações arriscadas nas ruas. Além dos confrontos diretos com o crime, muitos carregam marcas profundas que permanecem muito depois que as ocorrências terminam. Para vários desses profissionais, a batalha não se encerra ao fim da operação: ela continua em leitos hospitalares, entre cirurgias delicadas, longos períodos de internação e a força incansável das famílias que permanecem ao lado, sustentando a esperança de recuperação.
A trajetória do piloto da Polícia Civil Felipe Marques Monteiro simboliza esse cenário de coragem e resistência vivido por agentes feridos em serviço. Ele morreu neste domingo, 17 de maio, após meses internado em decorrência de um disparo sofrido durante uma operação na Vila Aliança, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, em março de 2025.
Na ocasião, o policial pilotava uma aeronave da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) quando o helicóptero foi atingido por tiros disparados por criminosos armados com fuzis. Um dos projéteis atingiu a região da testa do copiloto, atravessando o crânio e provocando um quadro extremamente grave. Desde então, Felipe iniciou um delicado e complexo processo de recuperação.
Após mais de sete meses sob cuidados intensivos, ele passou por diversas neurocirurgias e procedimentos de alta complexidade. Durante parte desse período, permaneceu em coma e enfrentou severos comprometimentos na estrutura craniana, exigindo acompanhamento constante de equipes médicas especializadas.
Nos últimos dias, contudo, o estado de saúde apresentou piora significativa. De acordo com informações divulgadas por sua esposa, Keidna Marques, Felipe sofreu complicações decorrentes de uma infecção após uma cirurgia para implantação de prótese craniana, realizada em abril. O quadro exigiu a administração de medicações mais fortes e antibióticos em doses elevadas.
Ao longo da recuperação, o policial chegou a receber alta hospitalar em dezembro e foi transferido para um centro de reabilitação, sinalizando uma possível evolução positiva. Entretanto, nos meses seguintes surgiram novas complicações, como hematomas e sangramentos na cabeça, que demandaram novos procedimentos cirúrgicos e a colocação de drenos para controle da pressão intracraniana.

A morte do piloto gerou grande comoção entre colegas de corporação, amigos e familiares, que acompanharam de perto cada etapa da luta pela vida. Em nota oficial, o Governo do Estado do Rio de Janeiro ressaltou a coragem, o profissionalismo e a dedicação do agente ao longo de sua atuação na segurança pública, além de prestar solidariedade à família neste momento de profunda dor.
A partida de Felipe também reacende o debate sobre os riscos enfrentados diariamente pelas forças de segurança e sobre a necessidade de investimentos contínuos em equipamentos, treinamento e suporte psicológico aos agentes. Casos como o dele evidenciam que o impacto da violência vai muito além do momento do confronto, deixando consequências duradouras para os profissionais e seus entes queridos.
Além disso, a mobilização de colegas e da sociedade durante o período de internação demonstrou o reconhecimento pelo trabalho desempenhado por ele. Mensagens de apoio, correntes de oração e homenagens reforçaram o respeito e a admiração conquistados ao longo de sua trajetória.
Um suspeito de participação no ataque ao helicóptero foi preso em maio, enquanto outros envolvidos continuam sendo procurados pelas autoridades. As investigações seguem em andamento, com o objetivo de responsabilizar todos os participantes do atentado.