Caso Ana Clara: jovem que teve mãos decepadas precisou abandonar tudo para evitar brigas com namorado

A jovem abriu o coração ao relatar como era o relacionamento que manteve com o ex-namorado. A Justiça do Ceará aceitou a denúncia contra os irmãos Ronivaldo Rocha dos Santos, de 40 anos, e Evangelista Rocha dos Santos, de 34, tornando-os réus pela tentativa de feminicídio contra a estudante Ana Clara Antero de Oliveira.

O caso, que passou a tramitar em segredo de Justiça na 1ª Vara de Quixeramobim, refere-se ao crime ocorrido em 1º de maio de 2026, episódio que chocou a população local pela violência empregada.

Segundo as investigações, Ana Clara teve uma das mãos decepada e a outra gravemente ferida por golpes de foice desferidos por Evangelista. Conforme a denúncia, ele teria agido sob orientação direta do irmão Ronivaldo, ex-companheiro da jovem, que não aceitava o fim do relacionamento.

O histórico de violência que antecedeu o atentado se estendeu por quase dois anos. Em depoimento, Ana Clara descreveu uma convivência marcada por controle excessivo, ciúmes constantes e agressões.

Estudante do curso de Nutrição, ela contou que chegou a abandonar a faculdade e interromper atividades na academia para evitar conflitos. Segundo relatou, fazia concessões contínuas na tentativa de diminuir as crises de ciúme do parceiro, deixando de lado seus próprios planos e desejos.

Mesmo antes de morarem juntos, Ronivaldo já apresentava comportamento agressivo. De acordo com o relato, ele possuía antecedentes por ameaça e porte ilegal de arma, além de atuar como agiota. Em um dos episódios narrados, teria agredido Ana Clara com um soco após ela tentar impedir a cobrança violenta de uma dívida contra uma gestante.

Na noite do crime, após uma discussão iniciada em um restaurante, Ronivaldo teria decidido acionar o irmão para executar uma retaliação. Enquanto o mandante aguardava do lado de fora, sobre um carro, Evangelista pulou o muro da residência da vítima portando uma foice.

Dentro do imóvel, a jovem foi atingida por diversos golpes nos braços e nas costas. Ana Clara relatou que permaneceu consciente durante toda a agressão e que sobreviveu porque decidiu fingir-se de morta, fazendo com que o agressor interrompesse o ataque e fugisse.

“Eu fazia as vontades dele porque eu imaginava assim: ‘Não, eu vou fazer as vontades dele porque aí a gente não vai brigar’. Mas eu vou deixar de viver minha vida pra viver a vida dele… e vou esquecer de mim”, declarou a estudante ao recordar o relacionamento abusivo.

A prisão dos acusados contou com a colaboração do próprio pai deles, Raimundo Nonato Acioli dos Santos, que informou à polícia o paradeiro dos filhos após receber mensagens de Ronivaldo atribuindo falsamente o crime apenas ao irmão.

Com a denúncia aceita, o Ministério Público do Ceará solicitou a fixação de indenização mínima de R$ 97 mil para reparação dos danos sofridos pela vítima. O processo segue em andamento, e novas informações devem ser divulgadas conforme o avanço das etapas judiciais.

Internada em Fortaleza, Ana Clara passou por três cirurgias complexas de reimplante que somaram cerca de 12 horas de duração. Em meio ao processo de recuperação, ela tem utilizado as redes sociais como espaço de conscientização, relatando sua experiência e alertando outras mulheres sobre os sinais de relacionamentos abusivos, transformando sua dor em instrumento de orientação e prevenção.