Mulher se pronuncia após ser resgatada de penhasco em MG; ela foi jogada por ex
A mulher resgatada em um penhasco na Serra do Rola-Moça permaneceu por mais de 24 horas esperando por socorro e relatou momentos de desespero aos bombeiros após ser encontrada. A ação de salvamento mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros, das Polícias Civil e Militar e do Samu, em uma força-tarefa que terminou com o resgate de Ana Cláudia Rodrigues da Silva Souza, localizada viva na manhã desta terça-feira, 26 de maio de 2026.
O caso ocorreu em uma área de difícil acesso na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Quando foi encontrada, Ana Cláudia apresentava diversos ferimentos pelo corpo, além de uma lesão em um dos pés causada pela queda e pelo tempo em que permaneceu presa à vegetação do penhasco.
Segundo informações repassadas pela vítima às autoridades, ela teria sido empurrada no abismo pelo ex-companheiro, Silvanildo Amâncio de Araújo, durante a manhã de segunda-feira, 25 de maio. Ainda conforme o relato, antes do crime ela sofreu ameaças e intenso terror psicológico.
Mesmo ferida, Ana Cláudia contou que tentou subir pelas pedras em busca de ajuda. No entanto, devido ao terreno íngreme e às dificuldades físicas provocadas pelos machucados, ela só conseguiu alcançar um local seguro horas depois, permanecendo durante toda a noite agarrada à vegetação para não cair ainda mais.
As investigações apontaram que o suspeito fugiu logo após o crime em direção ao interior de Minas Gerais. Pouco tempo depois, ele foi localizado e preso na cidade de Várzea da Palma. De acordo com a Polícia Civil, Silvanildo confessou que sequestrou a ex-companheira com a intenção de matá-la.
A filha mais velha da vítima, Thaine Heloísa Rodrigues de Souza, de 24 anos, informou que a mãe manteve um relacionamento de cerca de dez anos com o suspeito, mas os dois estavam separados desde fevereiro deste ano. Familiares afirmaram que Ana Cláudia vinha tentando reconstruir a vida após o término da relação.
O desaparecimento da mulher já havia preocupado parentes desde a segunda-feira, quando ela avisou que havia encontrado o ex-companheiro no bairro Pindorama, na Região Noroeste de Belo Horizonte, enquanto levava a filha caçula para a escola. Depois disso, ela não deu mais notícias, aumentando a angústia da família.
O caso ganhou ainda mais repercussão após a divulgação de um áudio enviado pelo suspeito à filha do casal, uma menina de apenas 9 anos. Na gravação, obtida pelos investigadores, ele tenta negar qualquer envolvimento no crime e pede que a criança não acreditasse em possíveis acusações feitas pela mãe ou pela irmã.
Familiares e moradores da região ficaram profundamente abalados com a violência do caso e acompanharam com apreensão o trabalho das equipes de resgate. Nas redes sociais, muitas pessoas comemoraram o fato de Ana Cláudia ter sido encontrada viva e prestaram mensagens de apoio à vítima e aos filhos.
Especialistas destacam que episódios de violência doméstica frequentemente são precedidos por ameaças, perseguições e comportamentos abusivos, sinais que não devem ser ignorados. O caso reacendeu debates sobre a importância das denúncias e da ampliação das medidas de proteção para mulheres em situação de risco.
Atualmente, Silvanildo permanece preso em flagrante e deverá responder pelos crimes de sequestro e tentativa de feminicídio. A Polícia Civil continua ouvindo testemunhas, analisando provas e aguardando os resultados dos exames periciais realizados no local para concluir o inquérito.
