Querido pastor brasileiro morreu em desastre na Venezuela quatro dias após celebrar 69 anos
A tragédia provocada pelos violentos terremotos que atingiram a Venezuela continua revelando histórias emocionantes e profundamente dolorosas de pessoas que tiveram suas vidas mudadas em questão de segundos. Entre as vítimas está um brasileiro que viajou ao país em busca de momentos de felicidade ao lado da família, mas acabou sendo surpreendido por um dos maiores desastres naturais registrados na região nos últimos anos.
Romildo Batista de Lima, de 69 anos, natural de Minas Gerais, morreu após ser atingido durante o desabamento de uma estrutura enquanto tentava se proteger no momento em que fortes tremores sacudiram a capital venezuelana. O caso trouxe ainda mais comoção por envolver uma viagem que tinha como principal objetivo celebrar uma data especial em família.
Morador de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, Romildo havia viajado para a Venezuela acompanhado da esposa, Carlha Nacarid, para comemorar seu aniversário de 69 anos e visitar familiares que vivem em Caracas. Dias antes da tragédia, o casal registrava momentos de alegria e celebração, sem imaginar que a viagem se transformaria em uma experiência devastadora marcada pela dor e pela perda irreparável.
Quando a sequência de fortes abalos sísmicos atingiu a região norte do país, causando destruição em diversos pontos da cidade, os dois foram surpreendidos pela situação de emergência e tentaram rapidamente encontrar abrigo dentro do local onde estavam. No entanto, em meio ao caos provocado pelo tremor, uma parede acabou desabando sobre o casal.
Romildo ficou preso sob os escombros e precisou ser retirado por equipes de resgate que atuavam na região. Ainda com vida, ele foi encaminhado às pressas para uma unidade hospitalar, onde recebeu atendimento médico intensivo. Apesar dos esforços da equipe de saúde e das tentativas de estabilização, ele não resistiu à gravidade dos ferimentos e morreu na madrugada do dia seguinte.
A esposa, Carlha, também foi atingida durante o acidente, mas sobreviveu. Segundo familiares, ela sofreu uma fratura na região da bacia e permanece internada sob cuidados médicos. Além das dores físicas e do processo de recuperação, ela enfrenta um momento extremamente delicado emocionalmente após perder o companheiro de vida de maneira tão repentina e traumática.
Natural de Chapada de Minas, Romildo vivia em Uberlândia havia mais de dez anos. Embora não exercesse atualmente atividades pastorais de forma oficial, era muito conhecido entre familiares e amigos pela fé inabalável, pelo comportamento acolhedor e pela alegria com que conduzia a vida. Pessoas próximas relatam que ele gostava de viajar e valorizava profundamente momentos ao lado daqueles que amava.
No Brasil, a notícia chegou de forma inesperada e angustiante. Familiares começaram a acompanhar pela televisão as reportagens sobre os terremotos e, ao perceberem que o casal estava justamente na região afetada, iniciaram inúmeras tentativas de contato. Durante horas, porém, não houve qualquer resposta, aumentando o desespero de todos.
O celular do casal foi perdido durante o desabamento, o que dificultou qualquer comunicação nas primeiras horas após o desastre. Somente algum tempo depois, já hospitalizada, Carlha conseguiu entrar em contato com parentes no Brasil para relatar o que havia acontecido e confirmar a morte de Romildo.
Agora, além de lidar com o luto e prestar apoio à esposa hospitalizada em outro país, a família enfrenta um novo desafio: trazer o corpo de Romildo de volta ao Brasil. Segundo relatos de parentes próximos, ainda existem pendências burocráticas envolvendo documentação internacional necessária para autorizar o traslado.
Especialistas explicam que em casos de mortes ocorridas no exterior durante situações de desastre, os processos costumam ser ainda mais complexos devido às exigências consulares, emissão de documentos locais e procedimentos legais específicos exigidos entre os países envolvidos.
Enquanto aguardam a liberação necessária para realizar o traslado, familiares seguem vivendo dias de profunda angústia e expectativa. O que deveria ser uma viagem de celebração e reencontro familiar terminou de maneira trágica, deixando uma história marcada pela saudade e por uma despedida interrompida de forma inesperada pela força devastadora da natureza.
