Mortes em UTI: presa, técnica afirma que colega teria tentado mata-la no Hospital
Os dois suspeitos seguem presos e respondem por triplo homicídio.
Novas informações sobre a prisão da técnica de enfermagem Amanda Rodrigues de Sousa, de 28 anos, foram divulgadas nesta sexta-feira (23/01). Ela é uma das três pessoas detidas no âmbito das investigações que apuram mortes ocorridas na UTI do Hospital Anchieta, no Distrito Federal.
De acordo com a Polícia Civil, Amanda teria atuado como cúmplice nos crimes. As investigações apontam que o principal responsável pelas mortes seria Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos, também técnico de enfermagem e um dos presos no caso.
Ainda segundo a polícia, Amanda e Marcela Camilly Alves da Silva teriam colaborado para acobertar as ações de Marcos. Imagens analisadas pelos investigadores indicariam que as duas demonstravam comportamento considerado incompatível com o contexto das mortes, o que levantou suspeitas de envolvimento direto ou indireto nos crimes.
O depoimento de Amanda, prestado na última sexta-feira, chamou a atenção após a divulgação de novos detalhes. Conforme informações do portal Metrópoles, a técnica alegou ter sido vítima de Marcos. A versão foi confirmada por seu advogado, Liomar Torres.
Segundo a defesa, Amanda esteve internada na UTI do hospital no dia 3 de dezembro, após apresentar complicações decorrentes de uma cirurgia bariátrica. Durante a internação, ela teria recebido cuidados de Marcos, incluindo a aplicação de uma medicação intravenosa.
Após o procedimento, Amanda teria sofrido uma aceleração cardíaca aguda e relatou ter ouvido a enfermeira-chefe do plantão — cujo nome não foi divulgado — repreender Marcos por sua conduta. “O Marcos tem que parar de fazer isso, de ter acesso e regalia ao ambiente”, teria dito a profissional, ao intervir na situação.
Amanda também informou à polícia que iniciou suas atividades no Hospital Anchieta em janeiro de 2025, período em que conheceu Marcos. Ainda em depoimento, ela confirmou que manteve um relacionamento extraconjugal com o colega de trabalho.
De acordo com o advogado, Amanda afirmou ter se sentido enganada e manipulada, alegando que Marcos mentia com frequência durante o relacionamento. A defesa sustenta que ela não tinha conhecimento das práticas criminosas investigadas.
O advogado destacou ainda que, no dia da morte de uma das vítimas, identificada como Marcos Raymundo, sua cliente não estava de plantão, reforçando a tese de que ela não participou diretamente do crime.
As investigações seguem em andamento, e a Polícia Civil continua analisando provas, imagens e depoimentos para esclarecer a participação de cada um dos envolvidos. O caso causou forte comoção e reacendeu o debate sobre a segurança e fiscalização em unidades de terapia intensiva.
O Hospital Anchieta informou que colabora com as autoridades e que medidas internas foram adotadas após a identificação das irregularidades. A instituição afirmou ainda que reforçou protocolos de segurança e acompanhamento de profissionais.
Os suspeitos permanecem à disposição da Justiça, enquanto o Ministério Público avalia o conjunto de provas para o oferecimento da denúncia formal.