Investigações apontam reviravolta sobre a causa da morte de adolescente de 15 anos
Casos envolvendo mortes de jovens após eventos festivos costumam gerar grande comoção social e levantar alertas sobre consumo de bebidas alcoólicas, fiscalização e responsabilidade de estabelecimentos comerciais. Quando há suspeita de substâncias irregulares, a repercussão tende a aumentar, mobilizando autoridades de saúde e segurança pública para esclarecer as circunstâncias e tranquilizar a população.
A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo informou que foi descartada a hipótese de intoxicação por metanol na morte da adolescente venezuelana Sofia Del Valle Torrealba Ramos, de 15 anos. A jovem faleceu na noite do último sábado, após participar de uma festa de Ano-Novo na região de Cidade Tiradentes, na zona leste da capital paulista. Desde o início das investigações, as autoridades analisavam a possibilidade de adulteração da bebida alcoólica consumida.
De acordo com o boletim de ocorrência, Sofia saiu de casa durante a madrugada do dia 1º de janeiro acompanhada de uma prima. Ao retornar pela manhã, a mãe percebeu que a adolescente estava agitada e questionou se ela havia ingerido bebida alcoólica, o que foi negado. Em seguida, Sofia foi dormir, mas no dia seguinte, ao tentar acordá-la, a mãe constatou que ela não reagia.
A família procurou atendimento em uma Unidade de Pronto Atendimento, onde a adolescente foi constatada inconsciente e transferida posteriormente para um hospital de referência. Apesar de todos os esforços médicos, Sofia não resistiu. Inicialmente, a suspeita hospitalar indicava intoxicação por metanol, motivando investigações sobre a procedência da bebida consumida.
Durante a apuração, a mãe descobriu que a adolescente e a prima haviam adquirido uma garrafa de gin em uma adega local. O proprietário do estabelecimento foi posteriormente preso, mas por irregularidades administrativas, como ligação clandestina de energia elétrica e armazenamento inadequado de fogos de artifício. O caso segue sendo tratado como morte suspeita pela Polícia Civil.
A Secretaria da Saúde esclareceu que, com a exclusão desse episódio, já são 564 ocorrências descartadas para intoxicação por metanol no estado. Até o momento, 51 casos foram confirmados, com 11 mortes registradas, enquanto outros óbitos seguem sob análise.
As autoridades reforçam a necessidade de investigação técnica detalhada em situações envolvendo suspeita de intoxicação, evitando conclusões precipitadas que possam gerar desinformação e pânico entre a população.
Especialistas alertam que adolescentes são particularmente vulneráveis a incidentes relacionados a álcool, e que a conscientização sobre riscos, fiscalização rigorosa e orientação familiar são ferramentas essenciais para prevenção.
O caso de Sofia destaca a importância da responsabilidade dos estabelecimentos comerciais na venda de bebidas alcoólicas e da atuação conjunta das autoridades de saúde, segurança e justiça para garantir que práticas irregulares sejam rapidamente identificadas e punidas.
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