Menina morre no PA após contrair doença e família suspeita que foi causada por consumo de açaí; entenda
A saúde pública em Ananindeua, no Pará, está em alerta após a confirmação da morte de Maria Luiza Rodrigues, de apenas 11 anos, ocorrida na última quinta-feira, 22 de janeiro de 2026. A criança estava internada em Belém desde o dia 11 e não resistiu a uma insuficiência cardíaca causada por infecção aguda de Chagas, uma das complicações mais graves da doença.
O caso ganha ainda mais atenção pelo fato de que o irmão da vítima também permanece hospitalizado com diagnóstico positivo para a mesma infecção. As investigações epidemiológicas apontam para o consumo de açaí contaminado como a via de transmissão, um problema recorrente na região quando os protocolos de higienização do fruto não são rigorosamente seguidos.
Dados oficiais indicam que Ananindeua já registrou 37 casos confirmados e três óbitos em apenas um curto período neste início de ano, evidenciando a gravidade da situação. Em resposta, a Secretaria Municipal de Saúde intensificou a fiscalização de batedores de açaí e pontos de venda, aplicando sanções e orientações técnicas sobre manipulação segura do alimento.
A vigilância sanitária reforça que o branqueamento do açaí, técnica de choque térmico, é a única forma segura de eliminar o protozoário Trypanosoma cruzi e o inseto barbeiro, prevenindo que a tradição culinária paraense represente risco à saúde. A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) mantém monitoramento semanal e alerta a população para os sintomas iniciais da fase aguda da doença, que incluem febre persistente, dores de cabeça, fraqueza e, em alguns casos, inchaço no rosto ou nas pernas.
É fundamental que qualquer pessoa que tenha consumido açaí de procedência desconhecida e apresente sintomas procure imediatamente uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para avaliação e tratamento precoce. A detecção rápida aumenta significativamente as chances de sucesso no controle da infecção e prevenção de complicações graves.
O caso de Maria Luiza reforça a importância da educação sanitária e da fiscalização rigorosa na cadeia de produção de alimentos típicos, lembrando que hábitos culturais podem se tornar perigosos sem atenção adequada à higiene e à segurança alimentar.
Enquanto a família lida com a dor da perda e a recuperação do irmão sobrevivente, a comunidade local permanece em alerta, aguardando que as medidas de fiscalização e conscientização interrompam a transmissão e protejam outros cidadãos.
O episódio também destaca a necessidade de campanhas contínuas sobre prevenção da Doença de Chagas, mostrando que, mesmo em tradições consolidadas, atenção à higiene, controle de qualidade e consumo responsável são essenciais para preservar vidas.