Vídeo gravado por vítima mostra momento que síndico a ataca no subsolo de prédio
Uma revelação decisiva veio à tona após a análise de um vídeo gravado pela própria vítima, alterando significativamente o rumo das investigações e trazendo novos esclarecimentos a um caso que manteve moradores apreensivos por mais de 40 dias.
As imagens, recuperadas pela polícia depois de um trabalho pericial detalhado, registram o instante em que a corretora Daiane Alves Souza é surpreendida no subsolo do edifício onde residia, em Caldas Novas.
O conteúdo foi divulgado nesta quinta-feira, 19 de fevereiro, pela Polícia Civil. No vídeo, Daiane aparece descendo pelo elevador para averiguar uma suposta queda de energia em um dos apartamentos sob sua responsabilidade.
Assim que a porta do elevador se abre, surge nas imagens o síndico do prédio, Cléber Rosa de Oliveira. De acordo com os investigadores, ele já estaria à espera da vítima, utilizando luvas e com o carro posicionado de maneira estratégica nas proximidades do local.
O telefone celular usado por Daiane para registrar as imagens foi localizado 41 dias depois, escondido em uma tubulação de esgoto do condomínio. A indicação do ponto onde o aparelho foi descartado teria partido do próprio síndico, que já se encontrava preso.
A gravação que flagrou o momento do ataque não chegou a ser enviada a uma amiga, como havia ocorrido em registros anteriores, permanecendo armazenada no dispositivo. Conforme a polícia, Cléber confessou o crime após ser detido.
O corpo da corretora foi encontrado em uma área de mata a aproximadamente 15 quilômetros da cidade. A perícia concluiu que os disparos ocorreram fora do prédio, o que ajuda a explicar por que nenhum morador relatou ter ouvido tiros. A arma utilizada no crime teria sido uma pistola calibre .380.
As apurações também apontaram um histórico de desentendimentos entre vítima e suspeito, relacionados à administração de imóveis pertencentes à família de Daiane. Há registros de disputas judiciais e até denúncia por perseguição envolvendo o nome do síndico.
O filho do investigado, Maicon Douglas de Oliveira, chegou a ser detido sob suspeita de participação na ocultação de provas, mas acabou liberado após a polícia afastar indícios de envolvimento direto no homicídio.
A recuperação do vídeo foi considerada fundamental para confirmar que o crime teria sido premeditado, encerrando um período de incertezas e reforçando os elementos já reunidos ao longo da investigação.
A divulgação das imagens provocou forte comoção entre familiares, amigos e moradores da região, que acompanharam o caso com apreensão desde o desaparecimento da corretora. Muitos relataram sentimento de indignação diante dos detalhes revelados.
Especialistas destacam que a preservação de provas digitais foi determinante para o desfecho da apuração, evidenciando a importância da tecnologia no esclarecimento de crimes e na reconstrução precisa dos fatos.
Com a conclusão dessa etapa da investigação, o caso segue agora para os trâmites judiciais, onde o conjunto de provas reunidas deverá embasar o andamento do processo e a responsabilização dos envolvidos.