Caso Itumbiara: detalhes das últimas horas de vida de Thales e seus filhos, são expostos pela polícia

O caso chocou o Brasil.

A conclusão de investigações envolvendo autoridades públicas costuma revelar aspectos sensíveis da vida pessoal e dos acontecimentos que antecedem decisões extremas. Em Goiás, a Polícia Civil finalizou o inquérito que apurou a morte de dois meninos, de 12 e 8 anos, vítimas de disparos efetuados pelo próprio pai, o então secretário de Governo de Itumbiara, Thales Machado, que posteriormente tirou a própria vida.

O crime ocorreu no dia 12 de fevereiro e causou forte repercussão nacional, gerando comoção e debates sobre violência familiar e saúde emocional. Em coletiva realizada nesta sexta-feira (27/2), o delegado responsável pelo caso, Pedro Sala, apresentou detalhes da investigação e esclareceu pontos centrais da linha do tempo construída pela polícia. Segundo ele, a mãe das crianças estava em São Paulo no momento dos fatos.

De acordo com as apurações, o secretário demonstrava desconfiança em relação à esposa, com quem mantinha um casamento de 15 anos. Ele teria contratado um detetive particular para obter informações sobre a viagem da companheira e buscado, anteriormente, detalhes sobre a rotina dela por meio de pessoas próximas ao casal.

Ainda segundo a investigação, no dia do ocorrido, o secretário promoveu um jantar com os pais, interpretado posteriormente como uma possível despedida velada. Após o encontro familiar, ele se dirigiu a um posto de combustíveis, onde adquiriu quatro galões de gasolina. O frentista relatou às autoridades que o homem aparentava nervosismo e dificuldade ao realizar o pagamento.

Na mesma noite, o detetive informou ter obtido imagens da esposa acompanhada de outro homem em São Paulo. A partir desse momento, houve intensa troca de ligações e mensagens entre o casal, culminando em uma última chamada de vídeo por volta das 20h39, marcada por discussões e ameaças, conforme relatado pelo delegado.

Entre 23h39 e meia-noite, período definido pela polícia como o momento do crime, ocorreram os disparos. Nesse intervalo, o secretário publicou nas redes sociais uma mensagem de despedida acompanhada de uma foto ao lado dos filhos, o que posteriormente foi incorporado às provas analisadas no inquérito.

O avô das crianças, o prefeito de Itumbiara, Dione Araújo, foi até a residência após repetidas tentativas de contato sem resposta. Utilizando a senha que possuía para entrar no imóvel, ele encontrou os netos feridos e o genro já sem vida. Equipes de socorro foram acionadas, mas as crianças não resistiram.

A Polícia Civil concluiu que houve premeditação, baseada na sequência de ações realizadas nas horas que antecederam o crime. Para os investigadores, a organização dos acontecimentos indica planejamento prévio, reforçando a gravidade do episódio.

O caso reacendeu discussões em todo o país sobre conflitos familiares intensos, saúde emocional e a importância de buscar ajuda especializada em momentos de crise. Especialistas ressaltam que situações de sofrimento psicológico profundo podem evoluir rapidamente quando não há acompanhamento adequado ou rede de apoio ativa.

Profissionais da área de saúde mental destacam que sinais de instabilidade emocional, ciúme excessivo, isolamento e comportamentos impulsivos devem ser levados a sério. O acesso a atendimento psicológico e psiquiátrico pode ser determinante para prevenir desfechos trágicos, especialmente em contextos de forte pressão emocional.

Autoridades reforçam que, diante de crises pessoais severas, procurar apoio profissional e dialogar com familiares ou pessoas de confiança é fundamental. O fortalecimento de políticas públicas voltadas à saúde mental também é apontado como medida essencial para ampliar a prevenção e oferecer suporte a pessoas em sofrimento emocional.