Crianças de Bacabal: após mais de 50 dias de desaparecimento, delegado desmente versão dada pela mãe

O delegado desmentiu a versão apresentada pela mãe, e novos detalhes das declarações seguem chamando a atenção das autoridades responsáveis pela investigação.

A mãe de Ágatha Isabelle, de 6 anos, e Allan Michael, de 4 anos, Clarice Cardoso, afirma acreditar que os filhos foram levados por alguém. Segundo ela, um investigador teria mencionado que as crianças nunca permaneceram sozinhas em um casebre abandonado, informação que reforçou suas suspeitas de que o desaparecimento não teria ocorrido de forma acidental.

Clarice explicou publicamente por que não acredita na hipótese de que as crianças apenas tenham se perdido. De acordo com seu relato, o local onde o primo das vítimas foi encontrado fica distante demais para que crianças tão pequenas conseguissem chegar caminhando sozinhas. Ela também argumenta que, caso estivessem perdidas, provavelmente teriam parado para chorar ou pedir ajuda, e não avançariam mata adentro.

A mãe sustenta ainda que Anderson Kauã, primo das crianças, de 8 anos e diagnosticado com autismo, teria sido deixado no local por adultos, enquanto seus filhos teriam sido levados para outro destino. As declarações aumentaram a repercussão do caso e geraram debates nas redes sociais.

Apesar das afirmações, o delegado responsável pela investigação contestou essa versão. Segundo a Polícia Civil, a principal linha investigativa continua sendo a de que as crianças se perderam na mata e, possivelmente, acabaram se afogando no Rio Mearim, hipótese considerada mais compatível com os elementos reunidos até o momento.

Até agora, não há confirmação oficial de sequestro. Ainda assim, informações de bastidores apontam que três pessoas estariam sendo monitoradas pelas autoridades e aparecem como possíveis suspeitas. Também circulam relatos sobre uma eventual ligação com grupos criminosos que utilizariam o rio como rota de transporte, embora nenhuma dessas hipóteses tenha sido comprovada.

Mais de 50 dias já se passaram desde o desaparecimento, ocorrido em 4 de janeiro, e a rotina no quilombo onde a família vive mudou profundamente. O clima na comunidade é descrito como de medo e tristeza, afetando especialmente as crianças, que passaram a permanecer mais tempo dentro de casa.

Moradores relatam que o ambiente, antes marcado por encontros e conversas nas ruas, hoje é de silêncio e apreensão. A incerteza sobre o paradeiro das crianças mantém a população em estado constante de angústia, enquanto equipes seguem trabalhando na busca por respostas.

Em meio à dor e à espera por esclarecimentos, Clarice Cardoso continua defendendo sua convicção. “Meu coração de mãe não se engana, meus filhos foram levados”, declarou. As autoridades informaram que novas diligências seguem em andamento e que outros detalhes poderão ser divulgados conforme o avanço das investigações.