Sepultamento de menina de 6 anos, vítima da tragédia em Juiz de Fora aconteceu sob forte comoção
Flores brancas e uma fotografia sobre um caixão fechado marcaram profundamente todos que estiveram presentes na despedida.
Em meio a uma semana marcada por perdas e destruição, a cidade de Juiz de Fora ainda tenta compreender a dimensão dos danos causados pelas fortes chuvas que atingiram a região. O grande volume de precipitação provocou deslizamentos em diversos bairros, mudando de forma abrupta a rotina de dezenas de famílias e deixando um rastro de dor na Zona da Mata mineira.
À medida que os números oficiais são atualizados, histórias individuais revelam o impacto humano da tragédia. Na tarde desta sexta-feira (27), sob forte comoção, familiares, amigos e moradores se reuniram no Cemitério Municipal para se despedir de Sophia Teodoro Reis Oliveira, de apenas 6 anos.
O caixão da criança chegou fechado ao local do sepultamento, cercado por flores brancas e homenagens silenciosas. Sophia foi uma das vítimas de um deslizamento ocorrido no Morro do Cristo, no bairro Paineiras. A força da lama que desceu da encosta atingiu duas casas, incluindo a residência onde a menina vivia com a família.
No imóvel também estavam a mãe da criança, Jaqueline Teodoro de Fátima Vicente, de 32 anos; a tia, Neide Aparecida Teodoro Vicente, de aproximadamente 60 anos; e o companheiro de Jaqueline, David Pedro de Souza, de 41 anos. Todos foram atingidos pelo deslizamento.
Jaqueline chegou a ser socorrida com vida, mas não resistiu aos ferimentos e morreu horas depois, na madrugada de quarta-feira (25/2). Desde então, equipes do Corpo de Bombeiros seguem mobilizadas na mesma área em busca de Pietro César Teodoro Freitas, de 10 anos, irmão de Sophia, que permanece desaparecido.
O menino está entre as três pessoas ainda não localizadas após os temporais que atingiram o município no início da semana. As buscas também continuam por uma menina de 8 anos, no bairro JK, e por um homem de 46 anos, desaparecido no bairro Linhares.

Segundo o balanço mais recente divulgado pelas autoridades, Juiz de Fora contabiliza 58 mortes relacionadas às chuvas. O número evidencia a gravidade da tragédia enfrentada pela cidade, que ainda lida com resgates, acolhimento de desabrigados e avaliação de áreas consideradas de risco.
Durante o velório, familiares e amigos lembraram Sophia como uma criança alegre e carinhosa, cuja ausência deixa um vazio irreparável. O silêncio e a emoção tomaram conta do local, refletindo o sentimento coletivo de luto vivido pela comunidade.
A continuidade das operações de resgate e o apoio às famílias atingidas demonstram o tamanho do desafio enfrentado pelo município, que agora inicia um processo de reconstrução. Autoridades reforçam a necessidade de investimentos em prevenção, monitoramento de encostas e planejamento urbano para reduzir riscos futuros e evitar novas tragédias em áreas vulneráveis.