Mulher deixa último registro em áudio antes de receber 80 socos e não resistir; ouça
A mulher não resistiu aos ferimentos, mas deixou um último áudio que agora se tornou peça importante para entender o que aconteceu. O caso segue repercutindo e chamando a atenção do público diante dos detalhes revelados.
A morte de Alciele de Almeida Alencar, de 31 anos, ganhou novos contornos após a divulgação de uma gravação enviada por ela a uma amiga pouco antes da agressão que resultaria em sua morte. No áudio, a vítima desabafa sobre o relacionamento conturbado com o personal trainer Pedro do Nascimento Santana Júnior.
Na mensagem, Alciele relata a dificuldade de romper definitivamente o ciclo de violência, afirmando que já havia perdoado o agressor diversas vezes e também tentado se afastar em outras ocasiões. Ela descreve episódios de comportamento instável por parte do companheiro, mencionando momentos em que ele parecia perder o controle e agir de forma completamente desproporcional.
Apesar do histórico, a vítima revela que começava a dar sinais de mudança, buscando se distanciar emocionalmente e retomar sua rotina. Segundo o relato, ela já conseguia dormir melhor e refletia sobre a necessidade de encerrar definitivamente aquela relação.
A agressão que interrompeu esse processo aconteceu no dia 3 de março de 2026, após uma discussão em um bar. De acordo com a investigação da Polícia Civil, o suspeito perseguiu Alciele enquanto ela seguia em um mototáxi.
Durante a perseguição, ele teria arremessado a própria motocicleta contra o veículo, provocando a queda da vítima. Já no chão e sem condições de defesa, Alciele foi violentamente agredida com socos e chutes, sofrendo lesões graves, principalmente na região da face.
Após o ataque, o agressor fugiu do local, mas foi localizado e preso pela Polícia Militar ainda no mesmo dia. Desde então, permanece detido enquanto responde pelo crime.
Alciele foi socorrida e encaminhada ao Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência, em Ananindeua, onde permaneceu internada por mais de dez dias. Apesar dos esforços médicos, teve a morte cerebral confirmada na quinta-feira, 12 de março.
Mãe de quatro filhos, ela foi sepultada no sábado, 14 de março, na cidade de Tomé-Açu, no Pará. A comoção tomou conta de familiares e moradores, que prestaram as últimas homenagens.
O áudio deixado por Alciele passou a integrar o inquérito policial e pode contribuir para reforçar o histórico de violência e o contexto do crime. A gravação evidencia o sofrimento da vítima e a complexidade envolvida em relações abusivas.
“Todo mundo me pergunta: por que você continua nisso? Eu já chorei muito. Eu já sofri demais. Eu já perdoei inúmeras vezes e também já mandei ele embora várias vezes”, dizia Alciele no trecho enviado à amiga.
Casos como esse reforçam a importância de identificar sinais de violência e buscar ajuda especializada o quanto antes. Muitas vítimas enfrentam dificuldades para romper esse tipo de ciclo, seja por medo, dependência emocional ou outras circunstâncias.
A tragédia também reacende o debate sobre a necessidade de fortalecer redes de proteção e apoio às mulheres, garantindo que denúncias sejam acolhidas e acompanhadas de forma eficaz.
A história de Alciele deixa um alerta doloroso sobre os riscos da violência doméstica e a urgência de ações que possam evitar que outras vidas sejam interrompidas de forma tão brutal.