Polícia aponta possíveis causas da morte de crianças encontradas em carro no litoral de SP
As autoridades avançam na apuração do caso envolvendo duas crianças encontradas sem vida dentro de um carro, trazendo novos elementos que ajudam a esclarecer o ocorrido. A investigação sobre a morte dos primos Pedro Henrique, de 6 anos, e Henry Miguel, de 4, em Praia Grande, no litoral de São Paulo, ganhou novos contornos nas últimas horas, indicando uma possível mudança no rumo das conclusões iniciais.
A Polícia Civil passou a considerar a asfixia e a desidratação como as causas mais prováveis das mortes, afastando, ao menos por ora, a suspeita inicial de violência direta. A análise preliminar sugere que não houve ação criminosa de terceiros no local onde os corpos foram encontrados.
De acordo com os investigadores da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), a principal hipótese é de uma fatalidade. Tudo indica que os meninos tenham entrado no veículo abandonado por curiosidade ou durante uma brincadeira, sem imaginar o risco envolvido na situação.
Os corpos foram localizados por volta de 0h45 da segunda-feira, 23 de março de 2026, dentro de um carro estacionado em um terreno baldio no bairro Vila Sônia, em Praia Grande. O cenário encontrado inicialmente gerou dúvidas e levantou suspeitas que agora começam a ser reavaliadas com base em evidências técnicas.
Relatos iniciais apontavam possíveis sinais de agressão, além de rigidez cadavérica. No entanto, exames periciais preliminares trouxeram esclarecimentos importantes, indicando que as marcas observadas no rosto de uma das crianças podem ter sido provocadas por elas mesmas, em um momento de desespero.
Segundo os peritos, esses ferimentos são compatíveis com tentativas de escapar do interior do veículo. Em condições de calor intenso e baixa circulação de ar, as crianças podem ter tentado forçar portas ou janelas, o que reforça a hipótese de asfixia associada à desidratação.
Embora o caso tenha sido registrado inicialmente como homicídio, a Polícia Civil informou que essa linha de investigação está praticamente descartada. Neste momento, o foco se concentra na análise de imagens de câmeras de segurança da região, que podem ajudar a reconstituir os últimos passos das crianças.
Os investigadores aguardam agora a conclusão dos laudos do Instituto Médico Legal (IML), que devem confirmar de forma definitiva a causa das mortes e a dinâmica dos fatos, permitindo o encerramento do inquérito com maior precisão.
O desaparecimento que mobilizou moradores de Praia Grande teve início na tarde de domingo, 22 de março. Pedro Henrique e Henry Miguel brincavam na calçada, em frente à casa da avó paterna, quando ela entrou rapidamente para buscar um copo de água.
Em questão de poucos minutos, ao retornar, percebeu que os netos já não estavam mais no local. A situação gerou desespero imediato e deu início a uma grande mobilização, com buscas intensas realizadas por familiares, vizinhos e voluntários ao longo de toda a noite.
O desfecho, infelizmente, foi marcado pela dor da descoberta na madrugada, encerrando de forma trágica as esperanças de encontrar os meninos com vida. O caso causou forte comoção na comunidade e levantou debates sobre segurança e vigilância de crianças em áreas urbanas.
Especialistas reforçam que situações como essa, embora raras, servem de alerta para os perigos de veículos abandonados ou fechados, especialmente em dias de calor. Ambientes assim podem se tornar rapidamente fatais devido à elevação da temperatura interna e à redução do oxigênio disponível.
Além disso, o episódio evidencia a importância de medidas preventivas e da conscientização de pais e responsáveis sobre riscos muitas vezes invisíveis no cotidiano. A tragédia também reacende discussões sobre a necessidade de fiscalização de terrenos abandonados e veículos deixados em espaços públicos.
Com a hipótese de homicídio praticamente descartada, a linha investigativa segue centrada na confirmação de que tudo ocorreu como um acidente. Ainda assim, as autoridades continuam reunindo todas as informações necessárias para esclarecer completamente o caso e dar respostas definitivas à família.