“Caso ela diga não”: Polícia Federal já tem identificados 15 perfis originais que publicaram ‘trend’

Horas depois de abrir inquérito para investigar a “trend” que incentiva violência contra a mulher nas redes sociais, a Polícia Federal confirmou ter identificado 15 perfis responsáveis pela postagem original dos vídeos. O caso chamou atenção por expor a gravidade de conteúdos que viralizam, normalizando atitudes violentas contra mulheres.

A “trend”, que voltou a circular nas últimas semanas, já existia há mais de um ano. Nos vídeos, homens simulam reações agressivas diante de uma negativa feminina, encenando desde socos e chutes até enforcamentos, facadas e disparos, muitas vezes começando com um pedido de casamento fictício que termina em violência simulada.

O inquérito, conduzido pela Diretoria de Repressão a Crimes Cibernéticos, aponta que o conteúdo começou a ser postado em 2024, com maior concentração em 2025, e voltou a viralizar recentemente, especialmente durante o fim de semana do Dia Internacional da Mulher. As denúncias massivas levaram à investigação e à interlocução da Polícia Federal com a plataforma TikTok para troca de informações e preservação de dados.

A polícia solicitou a remoção dos vídeos e a derrubada dos perfis que compartilharam o conteúdo, garantindo que as informações sejam preservadas para o inquérito. Alguns dos perfis identificados também estão vinculados a outros procedimentos investigativos, o que reforça a complexidade do caso.

Embora ainda não exista legislação específica para crimes na internet, os vídeos se enquadram em crimes já previstos na lei, como apologia ao feminicídio e lesão corporal de gênero. Os autores podem, portanto, ser responsabilizados criminalmente, e as investigações seguem em andamento para identificar todos os envolvidos e aplicar as medidas cabíveis.