Conceituado professor de medicina é achado morto dentro de casa; circunstâncias ainda são um mistério

A dor de uma perda precoce se torna ainda mais profunda quando vem cercada de circunstâncias misteriosas e de poucas respostas imediatas. Quando a ausência atinge alguém jovem, ativo e admirado, o impacto se espalha rapidamente, deixando familiares, amigos e colegas em estado de choque.

Esse foi o sentimento que tomou conta da comunidade acadêmica após a confirmação da morte do professor Carlos Alberto de Carvalho Fraga, em Arapiraca, no Agreste de Alagoas. Aos 38 anos, ele foi encontrado sem vida dentro de sua residência na manhã desta segunda-feira, 9 de fevereiro.

Docente do curso de Medicina do campus Arapiraca da Universidade Federal de Alagoas, Carlos Fraga era reconhecido pela postura acessível, pelo entusiasmo em sala de aula e pela dedicação à pesquisa científica.

Os Institutos de Criminalística e Médico Legal foram acionados para a realização da perícia e remoção do corpo. De acordo com a Polícia Civil, não havia sinais aparentes de violência, e o caso passou a ser investigado, inicialmente, como morte acidental.

Natural de Minas Gerais, o professor construiu uma trajetória sólida e respeitada na universidade desde que assumiu o cargo, em 2017. Mestre em Ciências da Saúde e graduado em Biologia, destacou-se como pesquisador em áreas de ponta, especialmente na bioinformática.

Seus estudos empregavam tecnologias avançadas, como o sequenciamento de RNA de célula única e o transcriptoma espacial, aplicados à investigação de doenças inflamatórias e crônicas. Além das atividades em sala de aula, também exerceu a função de vice-coordenador do curso de Medicina, contribuindo ativamente para o fortalecimento acadêmico da graduação.

Em 2025, participou de um estudo publicado na revista científica Immunity, uma das mais respeitadas na área da imunologia. A pesquisa apresentou resultados considerados promissores para avanços na imunoterapia oncológica e no tratamento de infecções virais persistentes, ampliando o reconhecimento de seu trabalho no cenário internacional.

Em homenagem à sua contribuição, a Direção-Geral e a Direção Acadêmica do campus Arapiraca decretaram luto oficial de três dias. Embora as atividades tenham sido mantidas, o ambiente é de profunda consternação entre estudantes, colegas e servidores.

A notícia provocou uma onda de manifestações nas redes sociais, onde alunos ressaltaram não apenas a competência técnica do professor, mas também sua generosidade e disposição em orientar projetos e pesquisas. Muitos destacaram o impacto positivo que ele teve em suas trajetórias acadêmicas e profissionais.

Enquanto a investigação segue para esclarecer as circunstâncias da morte, o sentimento predominante é de incredulidade diante de uma partida tão repentina. O sepultamento deve ocorrer em Minas Gerais, onde familiares se reúnem para a despedida, ao mesmo tempo em que a comunidade universitária tenta assimilar uma perda que deixou marcas profundas.