‘Dizia querer desistir da vida por vergonha’: avó de adolescente atacada em Copacabana faz desabafo

Os quatro acusados seguem foragidos, e um menor de idade também é apontado como envolvido no caso.

Na segunda-feira (02/03), a avó da adolescente de 17 anos vítima de um estupro coletivo em Copacabana, no Rio de Janeiro, concedeu entrevista ao telejornal RJ2, da TV Globo. O crime ocorreu no dia 31 de janeiro, mas somente agora veio a público após o avanço das investigações policiais.

Responsável pela criação da jovem — que a chama de “mãe” —, a avó relatou que a adolescente desenvolveu um quadro depressivo após a violência sofrida, chegando a expressar desejo de morrer. Segundo ela, o impacto emocional do crime foi profundo e exigiu acompanhamento psicológico desde os primeiros dias.

A mulher contou que descobriu o ocorrido ao perceber o comportamento abalado da neta. Em determinado momento, a jovem levantou parcialmente o vestido e mostrou hematomas pelo corpo, resultado das agressões sofridas. Diante da situação, a avó reuniu os documentos e levou imediatamente a adolescente à delegacia para registrar a ocorrência.

De acordo com o relato, a vítima demonstrava forte sentimento de culpa e vergonha, além do medo de ser exposta publicamente e sofrer novos ataques ou julgamentos. A familiar destacou que a jovem temia ficar “marcada” pela violência, o que agravou ainda mais seu sofrimento emocional.

A avó explicou que, após cerca de um mês do crime, a adolescente começa gradualmente a apresentar sinais de recuperação. Ela afirmou que a jovem está compreendendo que não teve culpa pelo ocorrido, reconhecendo que não está sozinha e que sua voz e seus limites devem ser respeitados.

Durante a entrevista, a responsável declarou que espera apenas que os envolvidos sejam responsabilizados judicialmente. Também manifestou preocupação com a possibilidade de que os suspeitos façam novas vítimas caso permaneçam em liberdade.

O caso ganhou maior repercussão após a conclusão do inquérito policial e o encaminhamento do processo ao Ministério Público. A Justiça decretou a prisão preventiva dos quatro acusados identificados: Bruno Felipe dos Santos Allegretti, de 18 anos; Vitor Hugo Oliveira Simonin, 18; Mattheus Verissimo Zoel Martins, 19; e João Gabriel Xavier Bertho, 19.

Além do impacto individual, o caso reacendeu debates sobre a importância de denúncias rápidas e do acolhimento adequado às vítimas de violência sexual. Especialistas ressaltam que o apoio familiar e o acompanhamento psicológico são fundamentais para a recuperação emocional e para evitar o agravamento de traumas.

Organizações de proteção à mulher também reforçam a necessidade de combater a culpabilização das vítimas, prática que ainda dificulta denúncias e prolonga o sofrimento psicológico. Campanhas educativas têm buscado conscientizar a sociedade sobre consentimento e respeito, especialmente entre jovens.

Autoridades destacam que investigações desse tipo dependem da colaboração da população para localizar suspeitos foragidos e garantir que a Justiça seja cumprida. O caso segue em andamento, enquanto a vítima continua em processo de recuperação, cercada pelo apoio da família e de profissionais especializados.