Esposa lamenta morte de paranaense em combate na Ucrânia: ‘Ele queria muito voltar’

Gustavo havia viajado ao país europeu como voluntário. Poucos dias após a confirmação da morte de Leonardo dos Santos, eletricista paulistano que também se voluntariou para a guerra, mais um brasileiro teve a morte confirmada nos campos de batalha da Ucrânia.

Desta vez, trata-se do paranaense Gustavo Rodrigo Faria Mazzocato, de 25 anos. A informação foi confirmada pela esposa do jovem, Rafaela Alves, que concedeu entrevista à imprensa brasileira e relatou detalhes sobre o ocorrido.

Segundo a família, Gustavo estava em uma missão na região de Donbass quando foi morto. A confirmação oficial chegou no último domingo (04/01), por meio do próprio Exército ucraniano, que comunicou a família sobre o falecimento.

Gustavo e Rafaela estavam juntos há cinco anos e tinham um filho de apenas 3 anos. Naturais de Curitiba, no Paraná, o casal vivia momentos distintos durante a incursão do jovem na guerra, já que Rafaela estava morando com o filho em Brasília enquanto o marido permanecia em território ucraniano.

Ao falar sobre a decisão de Gustavo de se voluntariar, Rafaela revelou que o marido chegou a se arrepender. Segundo ela, o jovem enviou um e-mail à embaixada brasileira pedindo ajuda para retornar ao Brasil, demonstrando o desejo de deixar o conflito.

Ainda de acordo com a esposa, Gustavo estava a cerca de um mês de concluir o período de experiência previsto em contrato, quando seria liberado para voltar ao país. No entanto, ele não teve a oportunidade de finalizar esse prazo.

Rafaela explicou que mantinha contato com o marido por meio de um oficial de comunicação do Exército ucraniano. “Ele queria muito voltar”, lamentou. A família afirma que Gustavo teria sido enganado quanto às funções que exerceria durante a missão.

“Disseram que ele ficaria na artilharia, em uma função de apoio à distância, sem contato direto com o combate. No entanto, ele acabou sendo colocado na infantaria, o que envolvia confronto direto, algo que ele não queria”, relatou a esposa.

Segundo informações divulgadas pelo portal G1, a família não terá a possibilidade de velar ou sepultar o corpo de Gustavo, o que agrava ainda mais o sofrimento dos familiares neste momento de luto.

A morte de Gustavo reacende o debate sobre a participação de estrangeiros em conflitos armados e os riscos enfrentados por voluntários que, muitas vezes, não possuem experiência prévia em cenários de guerra.

Casos como esse também levantam questionamentos sobre as condições oferecidas aos combatentes voluntários, as promessas feitas no momento do alistamento e a responsabilidade das autoridades envolvidas no acompanhamento dessas missões.

Enquanto familiares e amigos tentam lidar com a perda, a história de Gustavo se soma a outras que evidenciam o impacto humano da guerra, marcada por decisões difíceis, arrependimentos tardios e consequências irreversíveis para quem fica.

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