Família leva corpo a UPA e população pede socorro em meio à enxurrada de chuvas em MG
A forte enxurrada que atingiu Minas Gerais deixou um cenário devastador e profundamente entristecedor. Em Juiz de Fora, nesta terça-feira, 24 de fevereiro de 2026, a situação ultrapassou os limites de um desastre natural e passou a configurar uma grave crise humanitária e de infraestrutura.
Vídeos que circulam nas redes sociais expõem a face mais cruel da tragédia: moradores enfrentando temporais enquanto aguardam em filas intermináveis nas Unidades Básicas de Saúde, muitos deles esperando por horas sem qualquer informação clara sobre atendimento ou previsão de suporte.
Em uma das gravações mais impactantes, uma família precisou transportar por conta própria o corpo de um parente que morreu após um deslizamento até uma UPA. A cena evidencia a dificuldade das equipes de segurança e resgate em alcançar todos os pontos críticos afetados pela chuva intensa.
O colapso nos serviços de emergência reflete o impacto de um volume de precipitação considerado histórico para o município. Juiz de Fora enfrenta o que já é descrito como o pior evento climático de sua história recente, levando a administração municipal a decretar estado de calamidade pública.
Somente no mês de fevereiro, o acumulado de chuva já chegou a 584 milímetros — o dobro da média histórica prevista para o período. A intensidade das tempestades provocou números alarmantes: vinte mortes confirmadas na região, sendo dezesseis em Juiz de Fora e quatro na cidade de Ubá, além de aproximadamente 440 pessoas desabrigadas, agora dependentes de ajuda humanitária emergencial.
“Infelizmente, tivemos um óbito desde ontem, no deslizamento. A comunidade está indignada, porque até agora não veio polícia nem bombeiro. A situação está alarmante aqui”, relatou um morador em um vídeo que rapidamente se espalhou pelas redes.
As autoridades alertam que o solo segue extremamente encharcado, mantendo elevado o risco de novos deslizamentos nas próximas horas. A combinação de encostas vulneráveis e chuvas persistentes cria um cenário de alerta máximo para moradores de áreas de risco.
As equipes de resgate concentram esforços para alcançar regiões que ficaram isoladas durante a madrugada, com o objetivo de verificar a existência de outras possíveis vítimas sob os escombros e a lama. O acesso difícil e as vias comprometidas tornam o trabalho ainda mais delicado e urgente.
Enquanto isso, a prefeitura tenta reorganizar o fluxo de informações e atendimentos nas unidades de saúde, que operam muito além de sua capacidade técnica e humana. Paralelamente, campanhas de arrecadação começam a surgir, mobilizando voluntários, doações de alimentos, água potável, roupas e itens de higiene para amenizar o sofrimento das famílias afetadas.
Especialistas alertam que eventos extremos como esse tendem a se tornar mais frequentes, exigindo investimentos estruturais em drenagem urbana, contenção de encostas e planejamento habitacional. A tragédia escancara não apenas a força da natureza, mas também a urgência de políticas públicas mais eficazes para prevenir que desastres como este continuem ceifando vidas e destruindo comunidades.