Filha planejou morte do pai e motivo é exposto; ele não resistiu

A investigação revelou que a morte do administrador Ricardo Luiz Nolasco Lopes, ocorrida há cerca de seis anos, foi planejada pela própria filha da vítima em conjunto com o namorado, trazendo novos desdobramentos ao caso.

O crime, investigado pela Polícia Civil em Campinas, no interior de São Paulo, teria sido motivado pela desaprovação do empresário em relação ao relacionamento mantido pelo casal. Segundo os investigadores, a rejeição familiar teria sido o principal fator que levou ao planejamento da ação criminosa.

A conclusão do inquérito encerra um longo período de dúvidas e versões contraditórias, já que o caso, inicialmente, havia sido apresentado como um assalto seguido de morte.

No começo das apurações, o episódio foi tratado como latrocínio. No entanto, a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) decidiu reavaliar o caso após identificar inconsistências que não correspondiam ao padrão de crimes patrimoniais comuns.

Na época dos fatos, em janeiro de 2020, a filha conduzia o veículo em que estava com o pai quando, segundo a versão apresentada inicialmente, ambos teriam sido abordados por um criminoso em uma estrada rural no Distrito de Sousas.

A narrativa criada apontava que o suposto assaltante teria levado uma pequena quantia em dinheiro e efetuado diversos disparos exclusivamente contra o empresário, deixando a motorista ilesa, sem qualquer tipo de agressão física — circunstância que passou a levantar suspeitas entre os investigadores.

O possível arquivamento do caso foi evitado após policiais da Delegacia de Investigações Criminais (Deic) identificarem anomalias técnicas relevantes durante a análise das provas.

Entre os elementos decisivos para a retomada das investigações estavam o elevado número de disparos que atingiram a vítima e a constatação do uso de armas de calibres diferentes. Para a polícia, essas características indicavam uma execução premeditada, incompatível com um assalto ocasional.

Diante das novas diligências, o namorado da filha compareceu espontaneamente à delegacia. Durante o interrogatório, apresentou contradições e revelou detalhes extremamente específicos sobre o crime — informações que, segundo os investigadores, somente alguém presente no momento dos disparos poderia conhecer.

Confrontado com as evidências reunidas, o suspeito acabou confessando a participação no plano elaborado junto com a companheira. Ele afirmou que o empresário foi atraído até o local sob o pretexto de vistoriar uma obra de construção civil na região.

Com a conclusão do inquérito, a Justiça acatou o pedido de conversão das prisões temporárias em preventivas. O casal permanece sob custódia e responderá judicialmente por homicídio qualificado.

O desfecho da investigação aponta que o desentendimento familiar e a oposição do pai ao relacionamento foram determinantes para o planejamento do crime, afastando definitivamente a hipótese inicial de violência urbana aleatória.

A Polícia Civil destacou que a reanálise criteriosa das provas foi essencial para esclarecer o caso, reforçando a importância do trabalho investigativo contínuo mesmo após a apresentação de versões aparentemente consolidadas.

Especialistas em segurança pública ressaltam que crimes planejados dentro do próprio núcleo familiar costumam exigir investigações mais prolongadas, devido à tentativa de encobrir evidências e criar narrativas que desviem a atenção das autoridades.

Com o avanço do processo judicial, a expectativa agora é pelo julgamento do caso, que deverá reunir provas periciais, depoimentos e confissões já obtidas durante a investigação, buscando responsabilizar os envolvidos conforme determina a legislação brasileira.