Grávida descobre grave doença após sangramento durante exame de rotina do pré-natal

Descobrir uma gravidez costuma ser um momento de alegria, expectativas e planos para o futuro. No entanto, esse cenário pode mudar drasticamente quando, junto com a confirmação da gestação, surge o diagnóstico de uma doença grave, capaz de transformar completamente o pré-natal em uma jornada de medo, decisões difíceis e superação.

Foi exatamente isso que viveu a auxiliar de creche Karine Lisboa, então com 37 anos, ao descobrir que estava grávida do terceiro filho. Durante a primeira consulta de pré-natal, a ginecologista solicitou a realização do exame papanicolau, procedimento preventivo para o câncer de colo do útero. A recomendação causou estranhamento, já que Karine não imaginava que o exame fosse comum durante a gestação.

Durante a coleta, um sangramento intenso chamou a atenção da equipe médica. Diante da alteração, Karine foi encaminhada para uma biópsia e, cerca de duas semanas depois, recebeu a confirmação do diagnóstico: câncer de colo do útero.

A notícia trouxe um misto de desespero, medo e incerteza. Especialistas explicam que situações como essa não são raras, uma vez que o câncer de colo do útero costuma evoluir de forma silenciosa nas fases iniciais, sendo frequentemente identificado durante exames de rotina do pré-natal.

Considerado um dos tumores ginecológicos mais comuns no Brasil, o câncer de colo do útero está, na maioria dos casos, associado à infecção persistente pelo vírus HPV. Por se desenvolver sem sintomas evidentes, a prevenção e o rastreamento regular são fundamentais para o diagnóstico precoce e maiores chances de cura.

No caso de Karine, o tratamento precisou ser cuidadosamente planejado. Como o tumor estava muito próximo do útero, uma cirurgia imediata poderia colocar a gestação em risco. Diante desse cenário, a equipe médica optou por iniciar sessões de quimioterapia ainda durante a gravidez, com doses ajustadas para minimizar possíveis impactos ao bebê.

No momento do parto, os médicos realizaram uma cesariana e, no mesmo procedimento cirúrgico, retiraram o útero para conter o avanço da doença. O bebê, Daniel, nasceu saudável e sem complicações, trazendo alívio e esperança à família.

Após o nascimento do filho, Karine ainda enfrentou novas etapas do tratamento, incluindo sessões de quimioterapia e radioterapia, dando continuidade ao combate contra a doença.

A experiência reforçou, para Karine, a importância dos exames preventivos. Um procedimento simples, muitas vezes adiado por medo ou falta de informação, foi decisivo não apenas para salvar sua vida, mas também para garantir a chance de acompanhar o crescimento do filho.

Especialistas destacam que o papanicolau deve ser realizado regularmente por mulheres sexualmente ativas, inclusive durante a gestação quando indicado, justamente por permitir a identificação precoce de alterações que podem evoluir para câncer.

Histórias como a de Karine evidenciam que o diagnóstico precoce é uma ferramenta poderosa na luta contra o câncer e reforçam a necessidade de ampliar o acesso à informação, à prevenção e ao acompanhamento médico adequado em todas as fases da vida da mulher.