Identificado adolescente que foi morto supostamente por engano
Um episódio de extrema violência deixou a população da cidade de Cáceres, a cerca de 220 km de Cuiabá, em choque na tarde do último sábado (17). Um adolescente de 14 anos morreu e um jovem de 19 anos ficou ferido após serem alvejados dentro de uma residência na Rua dos Crisântemos, por volta das 14h40. Segundo as autoridades, o ataque pode estar relacionado a rivalidades entre grupos criminosos da região.
A vítima fatal foi identificada como Murilo Pessoa Teixeira, que, de acordo com levantamentos iniciais, não seria o alvo principal dos criminosos. Tudo indica que o adolescente tenha sido morto por engano. As investigações apontam que o verdadeiro objetivo seria o irmão mais velho de Murilo, supostamente envolvido com um grupo rival, mas ausente no momento do ataque. Sem encontrá-lo, os agressores teriam disparado contra quem estava presente na residência.
Durante a ação, dois suspeitos invadiram a casa pela porta da frente. Após os disparos, um deles fugiu em uma motocicleta vermelha, enquanto o outro, um adolescente de 17 anos, foi detido por moradores, que o agrediram antes da chegada da polícia. O jovem foi socorrido e levado, ferido, ao Hospital Regional.
Mais tarde, outra adolescente, também de 17 anos, foi localizada dormindo em sua residência e detida. Ela é apontada como possível mandante do ataque e teria ligação com o crime. Em depoimento, a jovem relatou ter sofrido ameaças de morte por se recusar a colaborar com membros de uma facção criminosa rival, com quem teria tido um relacionamento anterior.
Segundo ela, seu envolvimento seria forçado, incluindo funções como alugar imóveis e adquirir veículos para o grupo. Uma arma de fogo foi apreendida nas imediações do crime por moradores, que a entregaram voluntariamente à polícia, auxiliando nas diligências. A vítima de 19 anos, que sobreviveu, afirmou ter reconhecido um dos atiradores e indicou a ex-namorada como possível articuladora do atentado.
O caso está sob responsabilidade da 1ª Delegacia de Polícia Civil de Cáceres, que segue investigando para identificar todos os envolvidos e esclarecer a dinâmica do crime. A investigação também busca entender o grau de envolvimento de cada suspeito e possíveis conexões com outras ações criminosas na região.
Especialistas em segurança pública destacam que episódios como este evidenciam a crescente influência de facções criminosas em pequenas cidades e os riscos que disputas internas representam para adolescentes e jovens, muitas vezes alvos involuntários de ataques.
Além disso, autoridades reforçam a importância da colaboração da comunidade, seja denunciando atividades suspeitas ou entregando armas de forma voluntária, como ocorreu neste caso, para auxiliar no trabalho policial e reduzir a ocorrência de tragédias.
A tragédia deixou a população local consternada, principalmente familiares e amigos das vítimas, que ainda lidam com a dor e o impacto do atentado, enquanto a investigação segue em andamento para responsabilizar os envolvidos.