Identificados os dois médicos mortos a tiros por outro médico em região de alto padrão em SP
Câmeras de segurança registraram um crime chocante ocorrido na noite de sexta-feira em uma área nobre de Barueri, na Grande São Paulo. O episódio terminou com a morte de dois médicos e levantou uma série de questionamentos sobre comportamento, porte de armas e segurança em ambientes públicos.
O caso aconteceu em frente a um restaurante de alto padrão localizado na Avenida Copacabana, no bairro Alphaville Plus. A ocorrência mobilizou rapidamente equipes da Guarda Civil, Polícia Militar e autoridades da área da saúde, devido à gravidade da situação e ao perfil das vítimas.
Os médicos Luís Roberto Pellegrini Gomes, de 43 anos, e Vinicius dos Santos Oliveira, de 35, foram mortos a tiros. O autor dos disparos foi identificado como Carlos Alberto Azevedo Silva Filho, também médico, de 44 anos. Ele foi preso em flagrante e, posteriormente, teve a prisão convertida em preventiva pela Justiça.
De acordo com a polícia, os três se conheciam e teriam se encontrado de forma casual no local. Informações preliminares apontam que houve uma discussão ainda dentro do restaurante, o que levou ao acionamento da Guarda Civil Municipal para intervir na situação.
Durante a abordagem, Carlos negou estar armado e, após diálogo com os agentes, o conflito pareceu momentaneamente controlado. No entanto, pouco depois, quando Luís Roberto e Vinicius deixaram o estabelecimento, o suspeito os seguiu e efetuou diversos disparos. As vítimas chegaram a ser socorridas, mas não resistiram aos ferimentos.
A polícia apreendeu uma pistola, cápsulas deflagradas, dinheiro e documentos, que serão submetidos à perícia. Consta no boletim de ocorrência que Carlos possuía apenas certificado de colecionador, atirador e caçador (CAC), o que não autoriza o porte de arma para defesa pessoal.
As investigações também apuram a possível participação de uma mulher que teria entregue a bolsa contendo a arma momentos antes do crime. Testemunhas relataram ter ouvido uma discussão intensa na área externa do restaurante, com clima exaltado, gritos e barulho de objetos quebrados.
Funcionários do estabelecimento afirmaram que, logo em seguida, perceberam uma movimentação incomum e ouviram vários disparos, buscando abrigo por medo. Luís Roberto atuava como cardiologista em um hospital municipal de Barueri e era conhecido entre colegas pela atuação na rede pública.
Vinicius dos Santos Oliveira trabalhava desde 2019 na rede pública de saúde de Cotia, com passagem por unidades básicas, pronto atendimento e atuação durante o período mais crítico da pandemia. A prefeitura de Cotia divulgou nota oficial lamentando a morte do médico e destacando seu comprometimento com o serviço público e com os pacientes.
Vinicius deixa esposa e um filho pequeno, o que aumentou ainda mais a comoção em torno do caso. Colegas de profissão, amigos e familiares usaram as redes sociais para prestar homenagens e manifestar indignação diante da violência.
O caso segue sob investigação para esclarecer a motivação da discussão, a dinâmica exata dos fatos e eventuais responsabilidades adicionais. A morte dos dois médicos reacendeu debates sobre controle de armas, equilíbrio emocional em situações de conflito e a sensação de insegurança mesmo em regiões consideradas nobres.