Identificados os pacientes que morreram após terem sidos injetados com desinfetante na veia
A confiança depositada em instituições de saúde é um dos pilares do bem-estar social. Quando essa segurança é rompida por acontecimentos graves e inesperados, cresce a cobrança por respostas rápidas, rigorosas e transparentes. Foi exatamente esse sentimento que tomou conta da população do Distrito Federal diante das investigações envolvendo mortes ocorridas no Hospital Anchieta.
O caso passou a ser analisado minuciosamente pelas autoridades após a deflagração da Operação Anúbis, conduzida pela Polícia Civil. A apuração revelou um cenário alarmante: três ex-técnicos de enfermagem foram presos sob a suspeita de envolvimento direto em óbitos provocados por paradas cardiorrespiratórias, ocorridas após a aplicação irregular de substâncias diretamente na corrente sanguínea das vítimas.
O que agravou ainda mais a gravidade da situação foi o fato de as inconsistências terem sido inicialmente detectadas pelo próprio hospital. A instituição identificou falhas graves nos protocolos internos e acionou o Judiciário, colaborando ativamente para que os responsáveis fossem investigados e punidos, reforçando seu compromisso com a transparência e a ética profissional.
As vítimas do caso evidenciam o impacto humano da tragédia. Entre os nomes confirmados está Miranilde Pereira da Silva, professora aposentada de 75 anos, reconhecida por sua dedicação à educação. Também figura entre as vítimas João Clemente Pereira, de 63 anos, servidor respeitado da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb). A terceira vítima identificada é Marcos Raymundo Fernandes Moreira, de 33 anos, funcionário dos Correios, cuja morte abalou familiares e amigos que agora clamam por justiça.
De acordo com os investigadores, um dos suspeitos teria utilizado logins de médicos para prescrever e retirar medicamentos de forma fraudulenta, atuando em conjunto com outros envolvidos. Laudos periciais indicam ainda a possibilidade do uso de substâncias desinfetantes no lugar de medicamentos terapêuticos, o que reforça a gravidade e o caráter criminoso das ações.
A direção do Hospital Anchieta reiterou sua postura colaborativa, disponibilizando prontuários, imagens de segurança e documentos internos que foram fundamentais para as prisões realizadas em janeiro de 2026. A instituição também informou que reforçou seus protocolos de segurança e fiscalização para evitar que situações semelhantes voltem a ocorrer.
O caso segue agora sob segredo de Justiça, enquanto a população acompanha com atenção o andamento das investigações. Familiares das vítimas aguardam respostas conclusivas e responsabilização exemplar, em um episódio que já é considerado um dos mais complexos e chocantes da história da saúde privada na capital federal.
Especialistas avaliam que o caso deve provocar mudanças estruturais nos sistemas de controle hospitalar, além de reacender o debate sobre fiscalização, acesso a medicamentos e segurança do paciente. O desfecho do processo poderá servir como marco para o fortalecimento de normas e práticas mais rígidas no setor da saúde.