Identificados os técnicos de enfermagem presos pelas mortes de pacientes com injeção de desinfetante
O caso ocorrido em um hospital do Distrito Federal provoca indignação e perplexidade. É difícil conceber que, em um ambiente cuja missão é preservar vidas e oferecer cuidado, possam ter sido cometidos atos criminosos contra pacientes em estado de extrema vulnerabilidade.
Hospitais são tradicionalmente percebidos como espaços de segurança e acolhimento, onde profissionais da saúde atuam com ética e compromisso. No entanto, uma investigação recente no Distrito Federal revelou um cenário alarmante ao apontar a atuação criminosa de técnicos de enfermagem em uma unidade de terapia intensiva (UTI), fato que abalou a confiança da população nas instituições médicas.
A operação policial, batizada de Anúbis, resultou na prisão de três profissionais no dia 11 de janeiro. Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva trabalhavam na UTI do Hospital Anchieta, em Taguatinga, uma das regiões mais movimentadas do DF.
De acordo com as investigações, os suspeitos teriam injetado substâncias químicas de limpeza diretamente na corrente sanguínea de pacientes, provocando mortes registradas entre os meses de novembro e dezembro do ano passado. As autoridades classificam a conduta como extremamente grave e incompatível com qualquer prática de cuidado em saúde.
Inicialmente, os investigados alegaram que apenas cumpriam orientações médicas. Contudo, após serem confrontados com provas técnicas e testemunhais reunidas pela Polícia Civil, acabaram confessando as ações. Até o momento, três mortes foram oficialmente confirmadas, enquanto cerca de outros 20 óbitos seguem sob análise para verificar possíveis vínculos com o mesmo modus operandi.
Entre as vítimas identificadas estão João Clemente Pereira, de 63 anos, supervisor de manutenção; Marcos Moreira, carteiro de 33 anos que atuava em Brazlândia; e Miranilde Pereira da Silva, professora aposentada de 75 anos da rede pública de ensino de Ceilândia, cuja morte gerou forte comoção entre colegas, familiares e entidades representativas.
A apuração teve início após a própria direção do Hospital Anchieta identificar irregularidades nos procedimentos realizados na UTI e comunicar imediatamente as autoridades competentes, colaborando com a investigação desde os primeiros indícios.
Sob a coordenação dos delegados Wisllei Salomão e Maurício Iacozilli, da Coordenação de Repressão a Homicídios e de Proteção à Pessoa (CHPP), a Polícia Civil do Distrito Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em diversas regiões, incluindo Taguatinga, Brazlândia, Ceilândia, Samambaia e Águas Lindas.
O caso reacende o debate sobre os mecanismos de fiscalização e controle dentro das unidades hospitalares, especialmente em setores críticos como as UTIs. Especialistas destacam a necessidade de protocolos rigorosos, auditorias frequentes e acompanhamento contínuo das equipes de saúde para evitar falhas graves e crimes dessa natureza.
Familiares das vítimas cobram respostas rápidas, transparência e punição exemplar aos responsáveis. Além do impacto emocional irreparável, o episódio levanta questionamentos sobre a responsabilidade institucional e a necessidade de reparação às famílias afetadas.
Enquanto as investigações avançam, o caso segue sob forte atenção da opinião pública e das autoridades sanitárias. A expectativa é que o desfecho contribua para o fortalecimento das políticas de segurança hospitalar e para a reconstrução da confiança da sociedade nos serviços de saúde.