Laudo após exumação traz descoberta sombria sobre os últimos momentos da PM
Em muitas investigações policiais, a verdade não aparece de forma imediata. Com o passar do tempo, novos depoimentos, exames e análises técnicas podem revelar detalhes que mudam completamente o rumo de um caso. Foi exatamente isso que ocorreu na apuração da morte da policial militar Gisele Santana, encontrada sem vida em seu apartamento na região central de São Paulo.
O episódio, que inicialmente havia sido registrado como suicídio, passou a levantar dúvidas após questionamentos feitos pela família da vítima. Diante dessas suspeitas, a Justiça autorizou a exumação do corpo para a realização de novos exames periciais, na tentativa de esclarecer as circunstâncias da morte.
O novo laudo necroscópico, produzido após a exumação realizada no dia 6 de março, trouxe informações que chamaram a atenção dos investigadores. Segundo os peritos responsáveis pela análise, foram identificadas lesões no rosto e no pescoço da policial.
De acordo com o relatório, os ferimentos apresentam características compatíveis com pressão e arranhões que poderiam ter sido provocados por unhas. Os especialistas também apontaram indícios de que a policial possa ter perdido a consciência antes do disparo que atingiu sua cabeça.
A morte ocorreu dentro do apartamento onde Gisele vivia com o marido, o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto. Ele estava no local no momento do ocorrido e foi quem acionou o socorro após o episódio.
Outro aspecto que passou a ser analisado com atenção pelos investigadores é a linha do tempo dos acontecimentos naquela manhã. Uma vizinha relatou ter ouvido um estampido por volta das 7h28. No entanto, a primeira ligação do marido para a polícia ocorreu cerca de meia hora depois, às 7h57, quando ele informou que a esposa teria tirado a própria vida.
Pouco tempo depois, às 8h05, ele também entrou em contato com o Corpo de Bombeiros dizendo que a mulher ainda apresentava sinais de respiração. As equipes de resgate chegaram ao prédio por volta das 8h13 para prestar atendimento.
Alguns detalhes observados pelos socorristas também geraram questionamentos durante a investigação. Um dos profissionais relatou que a arma encontrada na mão da vítima estava posicionada de maneira incomum, algo que, segundo ele, não costuma ocorrer em casos semelhantes.
Além disso, os socorristas afirmaram que o sangue já apresentava sinais de coagulação quando o atendimento começou, o que levantou dúvidas sobre o tempo decorrido entre o disparo e o pedido de ajuda.
Outros depoimentos indicam que o oficial teria afirmado que estava no banho quando ouviu o disparo. No entanto, integrantes da equipe de resgate relataram que ele estava completamente seco e que não havia sinais de água no chão do apartamento.
Diante dessas inconsistências, a investigação segue em andamento. O caso está sendo conduzido pela Polícia Civil de São Paulo e também pela Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo, que buscam esclarecer todos os detalhes do ocorrido.
As autoridades continuam reunindo provas, analisando depoimentos e aguardando novos resultados periciais para determinar exatamente o que aconteceu no apartamento e se houve ou não participação de terceiros na morte da policial.