Motivação que levou médico a matar outros dois colegas vem à tona

O crime cometido pelo médico Carlos Alberto Azevedo Filho ocorreu na última sexta-feira, dia 16 de janeiro, e repercutiu intensamente nas redes sociais e nos noticiários de todo o país. O episódio, que resultou na morte de dois colegas de profissão em um restaurante de Alphaville, trouxe à tona debates sobre rivalidades, conduta profissional e segurança em ambientes públicos.

De acordo com a Polícia Civil, a motivação do crime estaria ligada a desentendimentos antigos entre Carlos, Luís Roberto Pellegrini Gomes e Vinícius dos Santos Oliveira. Os três atuavam na área de gestão hospitalar, e os conflitos teriam se iniciado em torno de contratos de licitação e disputas internas no setor de saúde.

Parentes das vítimas relataram que a tensão vinha se acumulando há meses, marcada por trocas de acusações, ameaças e clima de hostilidade. Na noite do crime, testemunhas afirmaram que os médicos estavam em mesas separadas no restaurante, quando uma breve discussão levou ao acionamento da Guarda Civil, que interveio acreditando ter controlado a situação.

Minutos depois, Carlos teria recuperado uma bolsa contendo uma pistola — supostamente entregue por uma mulher — e atirado contra os dois médicos do lado de fora do estabelecimento. Luís foi atingido por oito disparos e Vinícius, por dois. Ambos chegaram a ser socorridos, mas não resistiram aos ferimentos.

O delegado Andreas Schiffmann ressaltou que a ação foi extremamente rápida, durando cerca de 20 segundos entre os disparos e a rendição do autor. A polícia apreendeu a arma, cápsulas deflagradas e R$ 16 mil em espécie. As investigações agora buscam esclarecer o papel da mulher que teria levado a arma ao local.

O caso causou grande comoção na comunidade médica, especialmente em Cotia, onde Vinícius trabalhava desde 2019 e era reconhecido pelo comprometimento com pacientes e colegas. Amigos, familiares e profissionais de saúde expressaram indignação e tristeza diante da tragédia, destacando a perda irreparável para a classe.

Especialistas comentam que o episódio evidencia como rivalidades e estresse profissional podem gerar consequências extremas, principalmente em áreas em que a cooperação e a confiança deveriam prevalecer. O caso reforça a necessidade de protocolos claros de segurança em ambientes públicos e medidas de prevenção de conflitos entre profissionais de saúde.

Além disso, familiares e colegas pedem que a investigação seja concluída de forma rápida e transparente, garantindo justiça e prevenindo que situações semelhantes se repitam. A tragédia também reacendeu debates sobre porte de armas e responsabilidades civis em casos envolvendo profissionais de setores estratégicos para a sociedade.

O episódio serve como alerta para a importância de monitorar conflitos, gerir pressões no trabalho de forma saudável e priorizar o diálogo, evitando que disputas pessoais se transformem em tragédias irreversíveis.