Mulher admitiu ter enforcado menina de 3 anos que chegou morta em UPA

O crime ocorreu em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, e resultou na prisão em flagrante do avô materno de Sophia Emanuelly de Souza, de 3 anos, e da companheira dele. A criança deu entrada em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da cidade na terça-feira (17/02), já sem vida.

De acordo com a avaliação médica, Sophia apresentava sinais evidentes de negligência, maus-tratos e violência física. Os profissionais constataram desnutrição, baixa densidade muscular, múltiplos hematomas espalhados pelo corpo e indícios de que a morte havia ocorrido pelo menos seis horas antes de sua chegada à unidade de saúde.

Conforme registrado no boletim de ocorrência, a menina vivia com o avô materno desde 2024. José dos Santos, de 42 anos, havia obtido a guarda da criança sob a justificativa de que a mãe, usuária de drogas, não teria condições de exercer os cuidados necessários.

José residia com Karen Tamires Marques, de 33 anos, que também participava da rotina de cuidados da menina. No entanto, após a prisão, Karen declarou à polícia que não gostava da criança e que a agredia com frequência.

Em depoimento, a suspeita afirmou que as agressões eram motivadas, principalmente, pela dificuldade da menina em se alimentar. Ela também admitiu ter enforcado a criança horas antes de levá-la à UPA, confirmando que não mantinha qualquer vínculo afetivo com Sophia.

O delegado responsável pelo caso, Sebastião Vicente Picinato, relatou que a investigada confessou rejeitar a criança e que recorria a agressões físicas quando ela se recusava a comer. As declarações reforçam a linha investigativa de violência contínua dentro do ambiente doméstico.

Paralelamente à investigação criminal conduzida pela Polícia Civil, o Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) instaurou inquérito civil para apurar a possível omissão do poder público. A promotoria busca esclarecer como a criança teria sofrido maus-tratos ao longo de anos sem que houvesse intervenção eficaz por parte do Conselho Tutelar.

Informações levantadas indicam que Sophia não realizava acompanhamento médico desde 2023. Registros anteriores, ainda de 2022, quando estava sob os cuidados da mãe, apontavam que a menina apresentava bom estado geral de saúde, o que reforça a suspeita de que o quadro de violência e negligência tenha se agravado posteriormente.

O caso provocou forte repercussão na cidade e levanta questionamentos sobre a rede de proteção à infância. As investigações seguem em andamento para esclarecer todos os fatos, reunir provas técnicas e definir as responsabilidades dos envolvidos, tanto na esfera criminal quanto na apuração de eventual falha institucional.