‘Não é para ser normal criança dirigindo’, diz filha de homem que morreu atropelado por adolescente de 12 anos no DF

A manhã de quarta-feira, 25 de março de 2026, foi marcada por uma tragédia em São Sebastião, no Distrito Federal, envolvendo José Brito dos Santos, aposentado de 63 anos. Ele perdeu a vida de forma trágica ao ser atropelado por um veículo conduzido por uma criança de apenas 12 anos, enquanto retornava de uma consulta médica de rotina. O atropelamento ocorreu na calçada, depois que a adolescente perdeu o controle do automóvel.

Investigações preliminares indicam que a jovem tinha o hábito de manobrar o veículo para retirá-lo da garagem do comércio da família, prática que contava com a autorização e o conhecimento dos responsáveis. Na manhã do acidente, entretanto, a rotina terminou em tragédia. Equipes do Corpo de Bombeiros foram acionadas imediatamente e prestaram os primeiros socorros, mas José sofreu uma parada cardiorrespiratória e não resistiu.

O episódio gerou grande indignação entre familiares e moradores. Sandra dos Santos, filha da vítima, gravou um vídeo comentando sobre a tragédia e expressou sua revolta com a permissividade dos pais da adolescente. Ela ressaltou ainda o impacto emocional sobre sua própria filha, também de 12 anos, que agora enfrenta a perda do avô devido a uma conduta que jamais deveria ter sido normalizada.

Até o momento, a família afirma não ter recebido contato ou pedido de desculpas dos responsáveis pela menina, que permanecem omissos diante do ocorrido. “Por que uma criança estava no volante? Todo mundo sabe que criança não pode pilotar. Eu quero justiça. Não é para ser normal uma criança dirigindo”, desabafou Sandra.

Após o atropelamento, a adolescente foi encaminhada à Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA). Do ponto de vista jurídico, os pais ou responsáveis legais podem responder criminalmente por entregar direção de veículo automotor a pessoa não habilitada, conforme o Art. 310 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), além de homicídio culposo na direção de veículo, dependendo da avaliação das autoridades sobre a negligência envolvida.

O caso reacende debates sobre segurança no trânsito e a responsabilidade de adultos em permitir que menores manuseiem veículos. Especialistas em trânsito alertam que mesmo manobras aparentemente simples por crianças podem resultar em consequências irreversíveis, reforçando a necessidade de conscientização e fiscalização rigorosa.

Além do aspecto legal, a tragédia evidencia o impacto emocional devastador para as famílias envolvidas, mostrando que negligência e permissividade em situações de risco podem transformar um momento cotidiano em um episódio irreversível de perda e luto.