‘Nunca vi algo assim’: bombeiro desabafa sobre dia ‘trágico’ após chuvas em MG
Em meio ao cenário de destruição provocado pelas fortes chuvas em Juiz de Fora, um bombeiro civil esteve entre os voluntários que atuaram nos resgates.
Na madrugada desta terça-feira (24/02), temporais atingiram diversas regiões de Minas Gerais, provocando enchentes e mortes, especialmente na Zona da Mata mineira. Os municípios de Ubá e Juiz de Fora foram os mais afetados, segundo as informações iniciais. Mais de 20 mortes foram confirmadas, e o número ainda pode aumentar devido à existência de desaparecidos.
Foi nesse contexto que o bombeiro civil Edmar Caetano, de 38 anos, entrou em ação. Morador do bairro Parque Burnier — um dos mais atingidos pela tragédia — ele participou diretamente do socorro às vítimas e afirmou, em entrevista ao UOL, que jamais havia presenciado algo semelhante.
“É trágico demais. Com 38 anos, eu nunca presenciei um fato desse, mesmo sendo bombeiro e trabalhando há oito anos como brigadista. (…) Não imaginei que algo assim fosse acontecer na minha comunidade, com pessoas que eu conheço, pessoas trabalhadoras que se preparavam para acordar no dia seguinte, preparar sua marmita e trabalhar”, relatou.
Conhecido como Didico entre vizinhos e moradores da região, ele esteve na linha de frente ao lado de outros socorristas e voluntários. As cenas encontradas no bairro foram descritas como devastadoras, com ruas cobertas por lama, casas destruídas e famílias tentando salvar o que restou.
Durante a entrevista, o bombeiro contou que, junto a outros voluntários, encontrou cinco corpos. Entre as vítimas confirmadas estavam ao menos duas crianças: uma de 11 anos e um bebê de apenas 2 anos — perdas que abalaram profundamente toda a comunidade.
Edmar explicou que conhecia pessoalmente algumas das vítimas, já que vive no bairro. Ele iniciou os trabalhos de resgate por volta das 21h30 de segunda-feira e seguiu madrugada adentro, enfrentando chuva, lama e risco constante de novos deslizamentos.
Mesmo diante do cansaço físico e emocional, o bombeiro destacou o espírito de união dos moradores. Após algumas horas de descanso, voltou às buscas e afirmou que não pretende parar enquanto o local “não estiver limpo”, reforçando a força da solidariedade em meio a um dos momentos mais difíceis já vividos pela cidade.