“Tudo tem limite”: áudio traz revelações sobre o síndico que perseguia e boicotava corretora antes de matá-la

Em um áudio recentemente divulgado, novos detalhes sobre a relação conturbada entre o síndico e a corretora vieram à tona, revelando a dimensão dos conflitos que antecederam o crime.

A elucidação do assassinato da corretora Daiane Alves, ocorrido em Caldas Novas, trouxe à luz um extenso histórico de hostilidades, perseguições e sabotagens promovidas pelo síndico Cléber Rosa de Oliveira antes da consumação do homicídio.

Documentos processuais, áudios e registros digitais apontam para uma estratégia contínua de asfixia profissional e difamação pública, motivada por disputas no mercado de locações e por animosidade pessoal. Segundo a investigação, as ações tinham como objetivo minar a credibilidade da vítima e inviabilizar sua atuação profissional.

Cléber utilizava grupos de mensagens para desqualificar Daiane perante proprietários de imóveis e orientava funcionários do condomínio a dificultarem o atendimento aos clientes da corretora, proibindo a entrega de chaves e restringindo o suporte administrativo básico.

Ainda de acordo com o inquérito, o síndico também chantageava locadores, ameaçando interromper serviços essenciais caso mantivessem vínculo profissional com a corretora. Essas atitudes teriam contribuído para criar um ambiente hostil e insustentável para o exercício da profissão.

O comportamento agressivo se estendeu ao âmbito familiar. Registros policiais indicam que Cléber passou a proferir ofensas públicas contra a mãe de Daiane em grupos coletivos do edifício, ampliando ainda mais o clima de tensão.

“Ela passou por cima das normas, até a mãe dela desrespeitou regras. Com ela eu não converso mais. Tudo tem limite”, afirmou o suspeito em uma das mensagens anexadas ao processo.

Mesmo após decisões judiciais que garantiram a permanência da corretora no local e determinaram o fim das práticas abusivas, o ambiente de perseguição persistiu, caracterizando um padrão contínuo de ataques psicológicos, boicotes e intimidações que antecederam o desfecho fatal.

A prisão de Cléber ocorreu nesta quarta-feira, dia 28 de janeiro, quando ele confessou ter assassinado Daiane dentro do prédio e ocultado o corpo em uma área de vegetação no trajeto em direção ao município de Catalão.

O filho do suspeito, Maicon Douglas, também foi detido, acusado de tentar interferir nas investigações para proteger o pai. Informações obtidas pela polícia indicam que ambos planejavam deixar a cidade nos dias seguintes ao crime.

A repercussão do caso gerou forte comoção em Caldas Novas e reacendeu o debate sobre os limites dos conflitos em ambientes condominiais, onde disputas aparentemente administrativas podem escalar para situações de extrema violência.

Especialistas destacam que a perseguição sistemática, o assédio moral e a pressão psicológica são fatores de risco importantes e devem ser combatidos com medidas rápidas e eficazes, tanto no âmbito judicial quanto institucional.

A morte de Daiane Alves torna-se, assim, um marco trágico na discussão sobre a gravidade da perseguição persistente, evidenciando a necessidade urgente de mecanismos mais ágeis de proteção às vítimas e de prevenção a conflitos que possam evoluir para desfechos irreversíveis.