Vereador que dirigiu bêbado e matou idoso não será afastado agora, decide Câmara de Guarapuava (PR); entenda
Conselho de Ética rejeita afastamento imediato de vereador condenado
Na última segunda-feira (16/03), a Câmara de Vereadores de Guarapuava tomou uma decisão polêmica ao analisar um pedido de afastamento de um vereador condenado por homicídio. A medida havia sido solicitada pelo Ministério Público Eleitoral (MPE), que argumentava a gravidade do caso.
O parlamentar em questão é Kenny Rogers (MDB), conhecido como “Kenny do Cartório”. Ele foi condenado a 7 anos, 5 meses e 24 dias de prisão em regime semiaberto por dirigir embriagado e causar a morte de um idoso. Apesar da condenação, Kenny recorre da decisão em liberdade e continua exercendo normalmente o mandato de vereador.
O Conselho de Ética da Câmara avaliou o pedido do MPE, mas votou contra o afastamento imediato do vereador. Na decisão, o colegiado definiu abrir um prazo para que Kenny apresente sua defesa antes de qualquer medida disciplinar sobre o mandato.
Para o Ministério Público Eleitoral, o parlamentar violou o decoro parlamentar ao dirigir embriagado, atropelar a vítima e não prestar socorro. Segundo a promotoria, tais atitudes seriam suficientes para justificar o afastamento imediato.
Após a decisão da Câmara, a promotoria esclareceu que sua recomendação tinha caráter sugerido e não obrigatório, mas reforçou a gravidade do caso e a necessidade de acompanhamento rigoroso do processo. Já o Conselho de Ética destacou que todos os documentos foram encaminhados ao vereador, garantindo seu direito de defesa, e que o processo seguirá para nova análise sobre eventual afastamento ou cassação do mandato.
O incidente que motivou a condenação ocorreu em 2024, quando Kenny foi preso em flagrante após o atropelamento, mas liberado poucas horas depois. Desde então, ele responde ao processo em liberdade e recorre da decisão judicial.
Além do impacto jurídico, o caso provocou intenso debate na sociedade local sobre ética e responsabilidade de representantes eleitos. Moradores de Guarapuava se dividiram entre exigir punição imediata e defender o direito ao recurso legal, refletindo a complexidade do equilíbrio entre justiça e prerrogativas parlamentares.
Especialistas em direito eleitoral apontam que a situação evidencia uma lacuna nas regras sobre afastamento de vereadores condenados em crimes graves. A demora para medidas efetivas pode gerar insegurança e questionamentos sobre a confiança da população nas instituições democráticas.
Enquanto isso, o episódio também repercute politicamente, influenciando discussões sobre reformas e maior rigor no controle de mandatos. Para muitos, a decisão do Conselho de Ética reforça a necessidade de revisão de mecanismos de fiscalização interna da Câmara, buscando transparência e maior respeito ao interesse público.