Vítimas fatais do temporal que atingiu Juiz de Fora começam a ser identificadas

A dor das famílias que perdem entes queridos após fortes tempestades é impossível de medir. Em meio a sirenes, buscas incessantes e informações desencontradas, o que permanece é o silêncio das casas vazias e a saudade que passa a ocupar cada espaço.

Em Juiz de Fora, o cenário após a intensa chuva da última segunda-feira, 23 de fevereiro, é de profunda comoção e mobilização coletiva. O temporal deixou ao menos 16 mortos, cerca de 43 desaparecidos e mais de 440 pessoas desalojadas.

Diante da gravidade da situação, a prefeitura decretou estado de calamidade pública para acelerar ações emergenciais e ampliar a assistência às famílias atingidas. Entre as vítimas está o estudante Bernardo Lopes Dutra, aluno do 7º ano do Colégio de Aplicação João XXIII, instituição vinculada à Universidade Federal de Juiz de Fora.

A universidade divulgou nota de pesar, ressaltando o impacto da perda para toda a comunidade acadêmica. O velório foi realizado na Capela 1 do Cemitério Municipal, onde familiares e amigos prestaram as últimas homenagens em clima de forte emoção.

Também faleceu Carla Teixeira, profissional do Centro de Educação a Distância da universidade. Colegas destacaram sua dedicação ao ensino e o compromisso constante com os alunos. A lista de vítimas inclui ainda Arminda de Fátima Soa, de 63 anos, que não resistiu após deslizamentos de terra no bairro Esplanada. O sepultamento ocorreu na terça-feira, 24 de fevereiro.

Entre as crianças e adolescentes que perderam a vida estão Maitê Cedlia Pereira Fernandes, de 5 anos, além de Arthur Rafael de Oliveira Machado, Miguel Carlos da Silva Machado e Rosimeire do Carmo de Oliveira Souza, estudantes da rede municipal de ensino.

A Escola Municipal Vereador Raymundo Hargreaves publicou uma mensagem de solidariedade às famílias enlutadas. Nas redes sociais, a Escola Batista Oliveira também confirmou as mortes de Kaleb Marques Reis dos Santos e Ramom Rafael Araújo de Almeida, lamentando profundamente as perdas.

Nesta quarta-feira, 25 de fevereiro, nove sepultamentos estão previstos no Cemitério Municipal, marcando mais um dia de despedidas e dor para a cidade. Enquanto as equipes seguem nas buscas pelos desaparecidos, moradores se unem em campanhas de doação e apoio às famílias afetadas.

A tragédia expõe a vulnerabilidade de áreas atingidas por chuvas intensas e reforça a necessidade de investimentos em infraestrutura, drenagem e prevenção de deslizamentos. Para além dos números, cada nome representa uma história interrompida, sonhos desfeitos e famílias que agora precisam reconstruir suas vidas.

Em meio ao luto coletivo, Juiz de Fora tenta se reorganizar e encontrar forças para enfrentar um dos capítulos mais difíceis de sua história recente, mantendo viva a solidariedade como principal instrumento de superação.