Estudantes de Direito que atacaram morador de rua são liberados após prestar depoimento em delegacia
Os dois estudantes investigados por agredirem um homem em situação de rua, em Belém (PA), se apresentaram à delegacia nesta terça-feira (14/04), acompanhados de advogados. A ida à unidade policial ocorreu após a divulgação das imagens do caso e a abertura de inquérito para apurar as circunstâncias da agressão.
De acordo com informações divulgadas pelo portal g1, ambos optaram por permanecer em silêncio durante o depoimento. Os investigados foram identificados como Altemar Sarmento Filho, apontado como o responsável por utilizar uma arma de choque contra a vítima, e Antônio Coelho, que teria filmado toda a ação.
Antônio Coelho foi o primeiro a comparecer à delegacia. Ele não respondeu às perguntas da autoridade policial. Sua defesa declarou que o jovem não tinha conhecimento da suposta participação no caso e que teria tomado ciência dos fatos apenas por meio das notícias veiculadas na imprensa.
Na sequência, Altemar Filho também se apresentou, cobrindo o rosto e acompanhado de advogados. Sua defesa informou que ele exercerá o direito constitucional de permanecer em silêncio. O advogado Henrique Bulhosa afirmou que a arma utilizada estaria com defeito e que não teria potencial de letalidade.
Segundo o defensor, caso o equipamento fosse realmente de alta letalidade, qualquer pessoa atingida teria ficado paralisada, o que, segundo ele, não ocorreu. A defesa afirmou ainda que aguardará o resultado do laudo pericial e a conclusão do inquérito para se manifestar de forma mais detalhada.
Em declaração à imprensa, o advogado reconheceu a gravidade da atitude atribuída ao estudante, mas ressaltou que ele tem direito à ampla defesa e a um julgamento justo. “Não vou dizer que é certo, é errado, mas ele tem direito à defesa e a ser tratado sem linchamento virtual”, afirmou.
O caso ganhou repercussão na última segunda-feira, quando entregadores de aplicativo presenciaram a agressão e intervieram. Diante da reação, os dois investigados fugiram do local e teriam se refugiado na universidade onde cursam Direito.
A Polícia Civil segue investigando o episódio e deve ouvir testemunhas nos próximos dias para esclarecer a dinâmica dos fatos. Imagens que circulam nas redes sociais também estão sendo analisadas e poderão integrar o inquérito.
A vítima recebeu atendimento após o ocorrido, e o estado de saúde não foi detalhado pelas autoridades até o momento. O caso gerou forte repercussão nas redes sociais e reacendeu debates sobre violência contra pessoas em situação de vulnerabilidade.
Entidades de direitos humanos e representantes da sociedade civil manifestaram preocupação com o episódio e cobraram apuração rigorosa. O desdobramento das investigações deverá determinar se os envolvidos responderão por crime e quais medidas judiciais poderão ser adotadas.