Ex-namorada de Jairinho presta depoimento, afirma que filho era agredido e relata abuso sex*al: ‘Tenho medo dele’
O julgamento do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Jairinho, continua trazendo à tona relatos que chamam a atenção pela gravidade das acusações. O ex-parlamentar responde pelo caso que resultou na morte do menino Henry Borel, um dos crimes de maior repercussão nacional dos últimos anos.
Durante sessão do júri popular realizada nesta quarta-feira (28), uma ex-namorada de Jairinho prestou depoimento como testemunha de acusação e descreveu episódios de violência que teriam ocorrido durante o relacionamento. Segundo ela, o filho, que tinha apenas 3 anos na época, teria sido alvo frequente de agressões praticadas pelo ex-vereador.
A testemunha afirmou que costumava notar marcas pelo corpo da criança e mudanças significativas em seu comportamento. De acordo com seu relato, Jairinho apresentava justificativas para os ferimentos, mas os episódios passaram a despertar preocupação crescente ao longo da convivência.
Além das acusações envolvendo a criança, a mulher declarou ter sido vítima de violência psicológica durante o relacionamento. Em seu depoimento, ela relatou ainda acreditar que foi dopada antes de sofrer abuso sexual, afirmando que viveu momentos de intenso medo enquanto mantinha contato com o ex-parlamentar.
Um dos momentos mais impactantes da audiência ocorreu quando a testemunha relatou uma conversa com o próprio filho. Segundo ela, o menino procurou inicialmente a avó materna para contar o que havia acontecido e somente depois decidiu revelar as agressões para a mãe.
De acordo com o depoimento apresentado ao júri, a criança afirmou que teve a boca coberta com papel e pano para impedir seus gritos enquanto sofria agressões físicas. A testemunha relatou que o filho descreveu ter sido pisoteado na região da barriga e que o agressor teria demonstrado satisfação durante o ato.
Ainda segundo a mulher, esse episódio teria ocorrido justamente em um dia em que ela acredita ter sido dopada e violentada sexualmente. Ela contou que o filho tentou acordá-la após as agressões, mas não conseguiu obter qualquer reação.
O depoimento integra a fase de instrução do julgamento de Jairinho e de Monique Medeiros, mãe de Henry Borel. Nesse momento do processo, testemunhas são ouvidas para auxiliar jurados e magistrados na análise dos fatos apresentados pela acusação e pela defesa.
Ao longo das audiências, outras ex-companheiras do ex-vereador também relataram episódios de violência envolvendo crianças. Para o Ministério Público, os depoimentos reforçam a existência de um possível padrão de comportamento agressivo que teria se repetido em relacionamentos anteriores.
Especialistas em proteção à infância destacam que relatos de violência contra crianças devem ser tratados com máxima atenção pelas autoridades competentes. A identificação precoce de sinais físicos e emocionais pode ser fundamental para evitar situações mais graves e garantir a proteção das vítimas.
O caso Henry Borel gerou ampla mobilização da sociedade e impulsionou debates sobre a importância da denúncia de maus-tratos, bem como sobre os mecanismos de proteção voltados à infância. Desde então, o tema tem sido constantemente discutido por órgãos de defesa dos direitos das crianças e adolescentes.
Henry Borel morreu aos 4 anos de idade no apartamento onde vivia com a mãe e Jairinho, localizado na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro. A repercussão do caso ultrapassou fronteiras estaduais e permanece entre os episódios criminais mais acompanhados pela população brasileira nos últimos anos.
Com o avanço do julgamento, a expectativa é que novos depoimentos e provas contribuam para o esclarecimento dos fatos. O desfecho do processo é aguardado com atenção por familiares, autoridades e por grande parte da sociedade, que acompanha o caso desde o início das investigações.
