Mulher salva vida de homem, mas é atacada por ele e fica tetraplégica em MG

Apesar de todos os esforços feitos por Fernanda para preservar o relacionamento e até salvar a vida do companheiro, a história teve um desfecho profundamente triste, gerando comoção e revolta entre familiares e moradores da Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Fernanda de Oliveira Marcelino, de 46 anos, ficou tetraplégica após ser brutalmente estrangulada pelo ex-companheiro, Anderson Batista Nascimento, de 51 anos. O crime ocorreu no dia 14 de fevereiro de 2026, no município de Vespasiano, e ganhou grande repercussão pela gravidade da violência envolvida.

O caso carrega um detalhe ainda mais impactante: um dia antes da agressão, Fernanda havia impedido que Anderson tirasse a própria vida na garagem da residência. Mesmo diante do histórico de conflitos, ela interveio para salvá-lo.

Segundo as investigações, o homem não aceitava o fim do relacionamento de quatro anos. Após ser levado a uma unidade de saúde, ele fugiu no dia seguinte e teria reafirmado uma ameaça feita anteriormente — de que, se ela não o deixasse morrer, ambos “morreriam juntos”.

A agressão foi premeditada. Anderson se escondeu no quarto da vítima e, assim que Fernanda saiu do banho, a atacou por trás, estrangulando-a até que ela perdesse a consciência. Em seguida, fugiu levando o celular e o cartão de crédito dela.

Como consequência do estrangulamento, Fernanda sofreu um acidente vascular cerebral isquêmico (AVCI). Ela permaneceu caída por cerca de três dias, consciente, mas completamente incapaz de se mover ou pedir ajuda, até ser encontrada pelo filho.

Atualmente, Fernanda não possui movimentos do pescoço para baixo e enfrenta sérias dificuldades na fala. A delegada Nicole Perim informou que o laudo pericial confirmou a extrema violência do ataque e apontou que a sobrevivência da vítima ocorreu por uma margem mínima.

Anderson foi preso pela Polícia Civil no dia 9 de abril, enquanto estava internado em um hospital de Belo Horizonte para tratar um câncer. No entanto, ele morreu poucos dias depois, em decorrência da doença, encerrando o processo criminal sem julgamento.

Em entrevista, Fernanda desabafou sobre a dor e a sensação de traição, lembrando que sempre esteve ao lado do companheiro durante o tratamento de saúde. “Ele achou que eu tinha morrido, mas graças a Deus eu estou viva”, afirmou.

O caso reacende o alerta sobre os riscos da violência doméstica e a importância de mecanismos de proteção eficazes para mulheres em situação de vulnerabilidade. Especialistas destacam que ameaças e comportamentos possessivos não devem ser minimizados, pois podem evoluir para episódios extremos.

Agora, Fernanda enfrenta uma nova e desafiadora realidade, marcada por limitações físicas severas e pela necessidade de cuidados permanentes. Enquanto isso, familiares e apoiadores seguem mobilizados, pedindo mais conscientização e políticas públicas que fortaleçam o combate à violência contra a mulher.