‘Nunca senti uma dor tão forte’, diz família da empresária que morreu em queda de avião no RS

Após a partida da empresária, os familiares se pronunciaram e afirmaram que jamais haviam sentido uma dor tão intensa quanto a que enfrentam agora.

Duas semanas depois da tragédia que abalou o setor empresarial gaúcho, a família de Luiz Antonio e Deborah Ortolani deu um passo marcante em direção ao futuro. Durante a abertura de uma feira de fabricantes na Zona Sul de Porto Alegre, realizada nesta sexta-feira, 17 de abril de 2026, os filhos do casal anunciaram publicamente que darão continuidade ao legado construído pelos pais.

Fábio, Guilherme e Fabrício Ortolani circularam pelos estandes do evento — ambiente que, segundo eles, faz parte de suas histórias desde a infância — reforçando que a união da família será essencial para atravessar o luto e manter viva a estrutura empresarial erguida por Luiz e Deborah ao longo de décadas.

O acidente que vitimou o casal aconteceu na manhã da Sexta-feira Santa. O monomotor em que viajavam perdeu altitude logo após a decolagem em Capão da Canoa e acabou colidindo contra um restaurante. Além dos empresários, o piloto e o copiloto também morreram no local.

Enquanto o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) segue apurando as causas técnicas da queda, familiares e colaboradores tentam transformar a dor em força para seguir adiante. Para os filhos, assumir a condução dos negócios é uma maneira concreta de preservar os valores e ensinamentos recebidos.

Fábio Ortolani relembrou que os irmãos “nasceram dentro da feira”, destacando que cresceram acompanhando o trabalho dos pais nos bastidores do evento. Segundo ele, dar continuidade à trajetória empreendedora é uma forma de honrar a dedicação e a visão que marcaram a história da família.

A emoção tomou conta do pavilhão com a montagem de um altar em homenagem a Nossa Senhora Aparecida, onde está prevista uma celebração especial neste domingo. O gesto simbolizou fé e união em meio ao momento delicado.

Gláucia Belanda, irmã de Deborah, falou sobre a dimensão da perda. “É triste demais, é uma falta que eu não sei dizer. Dói, dói. E eu nunca tinha sentido uma dor tão forte”, declarou, visivelmente emocionada. Ela descreveu o sentimento como algo inédito e devastador para toda a família.

Apesar do sofrimento, a presença dos filhos à frente da feira foi recebida com respeito e apoio por expositores e parceiros comerciais, muitos dos quais acompanharam o crescimento deles ao longo dos anos. O gesto foi interpretado como sinal de continuidade e esperança.

“Não vou dizer que está sendo fácil, mas estamos tirando força de onde não tem com tudo o que eles nos ensinaram e plantaram dentro de nós”, afirmou Fabrício. A declaração resume o espírito de uma família que, mesmo diante da perda irreparável, escolheu o trabalho, a união e a memória dos pais como caminho para seguir em frente.