PM preso por matar casal após ligação da ex-esposa já respondia por morte de mulher trans

A primeira denúncia contra o policial militar Luiz Gustavo Xavier do Vale remonta a 2022, mas, mesmo após responder a processo, ele ainda mantinha acesso a arma de fogo. Ao longo desta semana, a prisão do agente voltou a ganhar ampla repercussão na imprensa e nas redes sociais. Ele foi detido por duplo homicídio, acusado de atirar à queima-roupa contra duas mulheres que haviam discutido com sua ex-esposa horas antes do crime.

O episódio mais recente ocorreu no dia 8 deste mês. Na ocasião, Luiz Gustavo deixou o posto onde estava de serviço e seguiu até o endereço onde moravam as duas mulheres, acompanhado por pelo menos outros seis policiais militares.

Ao chegar ao local, o cabo se envolveu em uma discussão breve com as vítimas e, em seguida, sacou a arma e efetuou diversos disparos. As duas mulheres morreram no local. Imagens de câmeras de segurança indicam que elas não teriam apresentado ameaça direta ou resistência no momento dos tiros.

Depois do crime, vieram à tona informações sobre o histórico funcional do policial. Luiz Gustavo já respondia a um processo por homicídio relacionado a um caso ocorrido em 2022. Desde então, ele estava afastado do patrulhamento nas ruas e exercia função administrativa.

Caso de 2022

Em 2022, Luiz Gustavo e outro policial participaram de uma ocorrência que terminou com a morte de uma mulher trans conhecida como Lara Croft. Naquele episódio, ela e um homem foram abordados sob suspeita de comportamento considerado suspeito pelos agentes.

Segundo o depoimento do cabo e de seu colega, a mulher e o homem teriam reagido à abordagem. Os policiais afirmaram que Lara teria tentado tomar a arma de um deles e que também teria sacado um barbeador da bolsa na tentativa de agressão.

Em sua versão, Luiz Gustavo declarou que atirou para se defender. Contudo, o relato foi questionado por testemunhas e confrontado pelo laudo pericial produzido à época.

A vítima foi atingida por vários disparos, que alcançaram regiões como costas, rosto, pescoço, peito e mão esquerda. A quantidade e a localização dos tiros levantaram dúvidas sobre a tese de legítima defesa apresentada pelo policial, intensificando o debate sobre a condução da ocorrência.

A revelação de que o militar, mesmo respondendo a processo por homicídio, ainda tinha acesso a armamento reacendeu questionamentos sobre os critérios adotados para restrição de porte e afastamento funcional em casos dessa natureza. Especialistas apontam que protocolos mais rígidos poderiam evitar que agentes sob investigação permaneçam em condições de exercer atividades operacionais.

O caso também amplia a discussão sobre acompanhamento psicológico e avaliação periódica de policiais envolvidos em ocorrências com resultado morte. Para analistas da área de segurança pública, medidas preventivas e maior rigor nos controles internos são fundamentais para preservar a confiança da sociedade nas instituições.