Comandante dos bombeiros diz o que ajudou Bruna a sobreviver 3 dias a deriva em alto mar
O resgate de Bruna Damaris Sant’Anna da Silva, encontrada viva em alto-mar a cerca de 16 quilômetros da costa de Ilhabela após permanecer aproximadamente 42 horas à deriva, continua repercutindo e sendo analisado por especialistas em segurança marítima.
A jovem desapareceu no domingo, 24 de maio de 2026, durante um passeio de moto aquática acompanhado de Dheoge Pereira Bernardino, que segue desaparecido e ainda é procurado pelas equipes de busca da Marinha do Brasil. O caso mobilizou operações intensas na região do litoral norte paulista.
Diante da sobrevivência considerada rara em condições tão adversas, autoridades e especialistas começaram a apontar fatores que podem ter contribuído para o desfecho positivo. Entre os principais elementos citados estão o equilíbrio emocional da vítima e as condições climáticas relativamente estáveis durante o período em que ela permaneceu no mar.
O comandante do 2º Pelotão de Bombeiros Náuticos, Leonardo Nery, destacou que o aspecto psicológico costuma ser decisivo em situações de naufrágio ou deriva. Segundo ele, o controle do pânico é um dos principais fatores que determinam a resistência da vítima ao longo do tempo.
De acordo com o oficial, o desespero inicial pode acelerar o desgaste físico, aumentar o consumo de energia e elevar significativamente o risco de afogamento, mesmo quando a pessoa dispõe de equipamentos de segurança. No caso de Bruna, os relatos indicam que ela conseguiu manter relativa lucidez durante boa parte do período em que ficou isolada.
Essa estabilidade emocional teria sido essencial para que ela suportasse o cansaço extremo até ser localizada por pescadores tradicionais da região. Quando foi resgatada, apresentava sinais de exaustão, hipotermia leve e desorientação, mas conseguiu se recuperar de forma surpreendente após receber atendimento médico.
Outro fator apontado como relevante foram as condições meteorológicas do litoral paulista no período do desaparecimento. Segundo a meteorologista Josélia Pegorim, da Climatempo, a ausência de uma massa de ar polar intensa e de instabilidades severas reduziu o risco de hipotermia mais grave.
Embora o clima estivesse frio em determinados momentos, a relativa estabilidade do tempo pode ter contribuído para aumentar as chances de sobrevivência da jovem até o momento do resgate.
Especialistas reforçam, no entanto, que casos como esse são exceções e não devem ser vistos como comuns. As autoridades marítimas destacam a importância do uso correto de equipamentos de segurança, planejamento adequado de passeios náuticos e atenção às condições do mar.
O episódio também reacendeu alertas sobre a necessidade de treinamento básico para atividades aquáticas, já que fatores como orientação, preparo e comunicação podem ser determinantes em situações de emergência no mar aberto.
