Velório e sepultamento de Alice Ribeiro, repórter da Band, é marcado por muita comoção
A família da jornalista autorizou a doação de órgãos, atendendo a um desejo manifestado por Alice ainda em vida.
Em meio à rotina intensa do jornalismo, profissionais dedicam-se diariamente a levar informação ao público, enfrentando deslocamentos frequentes e, muitas vezes, condições adversas nas estradas. Esses trajetos fazem parte da profissão, mas também expõem equipes a riscos que, embora conhecidos, nem sempre podem ser evitados.
Situações inesperadas podem interromper trajetórias marcadas por compromisso, responsabilidade e paixão pela notícia. Foi nesse contexto de dor que familiares e amigos se reuniram neste sábado para a despedida da jornalista Alice Ribeiro, de 35 anos, em Belo Horizonte, Minas Gerais.
A cerimônia ocorreu no Cemitério Parque da Colina e foi reservada, respeitando o pedido da família por privacidade. O sepultamento aconteceu ainda pela manhã, em um ambiente de profunda comoção entre pessoas próximas.
Alice estava internada desde a última quarta-feira, após sofrer um acidente na BR-381, na região de Sabará, na Região Metropolitana da capital mineira. Ela foi socorrida em estado grave e encaminhada ao Hospital Pronto-Socorro João XXIII, onde permaneceu sob cuidados médicos até a confirmação de morte encefálica na noite de quinta-feira (16).
No mesmo acidente, o cinegrafista Rodrigo Lapa Dani, de 49 anos, que dirigia o veículo da equipe, também não resistiu aos ferimentos e foi sepultado anteriormente. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, a colisão envolveu o carro da emissora e um caminhão.
Marcas encontradas na pista indicam que o motorista do caminhão tentou evitar a batida ao desviar para o acostamento, mas não conseguiu impedir o impacto. As circunstâncias seguem sob investigação, e hipóteses como mal súbito ou cansaço ao volante estão sendo consideradas pelas autoridades responsáveis pela apuração.
Em nota, a emissora lamentou profundamente a perda dos profissionais e informou que está prestando apoio à família de Alice, que deixa pais, irmão, marido e um filho de apenas nove meses.
A decisão pela doação de órgãos foi destacada por pessoas próximas como um gesto de generosidade que transforma dor em esperança. O ato solidário poderá beneficiar outras famílias que aguardam por transplantes, perpetuando o legado de empatia e cuidado que marcava a trajetória da jornalista.
Colegas de profissão também manifestaram pesar e lembraram o comprometimento de Alice com a informação de qualidade, ressaltando sua dedicação nas coberturas e o respeito com que tratava fontes e entrevistados. Nas redes sociais, mensagens de carinho e homenagens evidenciaram o impacto que ela deixou tanto no ambiente profissional quanto na vida pessoal.
O episódio reforça os desafios enfrentados por equipes que atuam em campo e a importância de medidas constantes de segurança em deslocamentos. Ao mesmo tempo, deixa como marca a memória de uma profissional dedicada e o exemplo de solidariedade que sua família escolheu honrar em um momento de profunda dor.